No período de 01 a 07 de novembro estive em Pequim, na China, onde participei do Sustainable Infrastructure Development – Challenges and Opportunities for Emerging Economies. O evento foi promovido pela GIZ, agência vinculada ao Ministério de Desenvolvimento Econômico e Cooperação da Alemanha, no contexto da iniciativa Economic Policy Forum – uma rede global de think tanks de economias emergentes.

Não bastasse a riqueza e diversidade dos conteúdos apresentados pelos participantes, pude viver a incrível experiência de estar em Pequim, uma cidade em permanente transformação, símbolo do apetite chinês pelo crescimento e expressão de uma cultura Oriental milenar que tenta construir uma nova identidade a partir da crescente aproximação com o Ocidente.

Apesar de tudo ter ocorrido muito rápido entre o convite para participar do evento e a viagem em si, tentei me preparar minimamente para a experiência. Afinal era um sonho antigo, inspirado pela ideia de que quem milita no campo da sustentabilidade precisa conhecer a China para, de fato, ampliar o entendimento sobre os desafios do desenvolvimento sustentável. Nessa preparação conversei com várias pessoas e li o quanto pude. Me ajudou muito a conversa com o Leeward Wang, colega antenadíssimo, descendente de chineses e que já visitou o país algumas vezes, além das leituras da edição 92 da Revista Página 22 sobre a China; dos livros Age of Ambition – chasing fortune, truth and faith in the new China, de Evan Osnos; e Mudança, do escritor chinês Mo Yan, Nobel de Literatura em 2012.

A agenda começou no dia 2 de novembro com uma visita à Grande Muralha da China. Não sei se a intenção dos organizadores foi essa, mas para mim que ainda estava sob os efeitos do jet lag, significou a imediata conexão com a realidade de um país que convive com tradições ancestrais e taxas de crescimento sem precedentes na era moderna: em 1978 o país tinha uma renda per capita de $ 200, enquanto em 2014 ela alcançou $ 7.500, num cenário em que se projeta, segundo o 13º Plano Quinquenal do Governo (2016-2020), um crescimento médio e constante do PIB de 6,5 a 7% ao ano até 2020.

Nos dias 3 e 4 tivemos vários painéis de diálogo relacionados a projetos de infraestrutura, com foco nos desafios e oportunidades no campo da sustentabilidade. Destes painéis participaram cerca de 30 profissionais de países como China, México, Turquia, Alemanha, Suíça, EUA, Índia, Bangladesh, África do Sul e Singapura. Eu era o único representante do Brasil e fiz parte do painel Designing Infrastructure Policy, que foi mediado por Mariana Silva, do International Institute for Sustainable Development, da Suíça, e também contou com Yüksel Görmez, do Banco Central da Turquia; Emmanuel Owusu-Sekyere, do Africa Institute of South Africa; Wajid Hasan Shah, do Bangladesh Institute for Development Studies; e Shubh Soni, do Observer Research Foundation da Índia. Minha apresentação abordou a experiência do GVces no âmbito do programa Desenvolvimento Local, com destaque para o projeto “Diretrizes para Políticas Públicas e Práticas Empresariais em Territórios para Instalação e Operação de Grandes Empreendimentos na Amazônia”, que estamos desenvolvendo em parceria com o IFC (International Finance Corporation).

Dos dois dias de diálogos vários conteúdos merecem destaque, entre eles a explicação do Diretor da GIZ, Oliver Auge, sobre o novo perfil de atuação da organização na China a partir do reconhecimento, pelo governo da Alemanha, de que a China não é mais um país em desenvolvimento. Com isso o papel da GIZ passou a ser de construção conjunta de soluções com a China, a exemplo das iniciativas de comércio de emissões de gases de efeito estufa (Emission Trading Systems) que estão em curso em diversas províncias chinesas. Quanto ao tom dos diálogos, esteve muito presente uma frase de Robert Lucas, prêmio Nobel de economia em 1995, citada no primeiro painel, segundo o qual “once you start thinking about growth, it’s hard to think about anything else.”

Na perspectiva dos chineses, certamente essa frase acima gerou múltiplas reações e ficou como pano de fundo para dois aspectos que me chamaram muito a atenção sobre a China contemporânea. O primeiro diz respeito ao reconhecimento e priorização dos desafios da sustentabilidade, entre eles a poluição atmosférica e seus efeitos, os quais já impactam fortemente os custos da saúde pública. O segundo refere-se à liderança cada vez maior que a China vem assumindo no cenário internacional, de modo deliberado e planejado, como investidor direto em países estrangeiros; e as inevitáveis consequências disto sob o ponto de vista da geopolítica.

Um exemplo contundente desta ação planejada no cenário internacional é a Belt and Road Initiative (BRI), lançada pelo presidente da China, Xi Jinping, em 2013. Trata-se de uma estratégia de desenvolvimento baseada em conectividade e cooperação entre países da Ásia, Europa e África com dois eixos principais: a via terrestre Silk Road Economic Belt; e a Maritime Silk Road, pelo oceano. A iniciativa conta com cinco grandes áreas de cooperação: política de comunicação, conectividade dos modais de transporte, redução de barreiras ao comércio, circulação de dinheiro e compreensão cultural.

Apesar de não explicitado pelos chineses com quem tive contato, todos porta vozes entusiasmados da BRI, há uma evidente preocupação da China em garantir os fluxos de exportação e importação do país, de modo a manter o ritmo de crescimento da sua economia.

Na tarde do segundo dia do workshop nos dedicamos a identificar oportunidades de atuação conjunta entre os participantes, que pudessem se desdobrar em publicações ou projetos reunindo mais de um think tank. Várias frentes de trabalho foram mapeadas, entre elas os instrumentos financeiros, a atuação dos bancos nacionais e multilaterais de desenvolvimento, as PPPs, a necessidade de standards para projetos de infraestrutura, entre outros. A mim coube a liderança de um grupo de trabalho composto por colegas dos EUA e México, que irá tratar dos standards.

Passados os dois dias de workshop, a programação previa visitas a duas organizações chinesas, o que se deu no dia 5 de novembro. A primeira visita foi na Beijing New Century Academy on Transnational Corporations (BNCATC), um think tank vinculado ao Ministério do Comércio da China, onde fomos recebidos pela Vice-Presidente, Dra. Jenny Jiangheng. Constituída a partir do trabalho de pesquisa da Dra. Jiangheng, a organização se dedica a mapear e avaliar os riscos éticos e socioambientais associados aos países onde as empresas chinesas têm ou planejam ter investimentos. Esses estudos são base para influenciar as tomadas de decisão junto ao governo e ao setor privado. Uma constatação decorrente da conversa foi a necessidade imperiosa de uma rede de organizações locais confiáveis, dos países analisados, que pudesse alimentar a BNCATC com informações e recomendações.

Na segunda visita fomos recebidos na Renmin University of China por uma equipe do Chongyang Institute for Financial Studies, um dos principais think tanks chineses com atuações relevantes nas áreas de macroeconomia, modernização da governança, finanças para internet, reforma bancária, microfinanças e green finance. Aqui um dos destaques foi a atuação do Instituto no aconselhamento ao governo chinês, incluindo o Banco Central da China, em temas de green finance. Entre os aconselhamentos em curso está a participação do Instituto na Inquiry into the Design of a Sustainable Financial System, promovida pelo Programa da ONU para Meio Ambiente (PNUMA).
Terminada a agenda do evento pude dedicar dois dias para visitar Pequim, numa semana que começou ensolarada na Grande Muralha e terminou com neve na sexta-feira, a qual chegou bem antes do previsto segundo os padrões climáticos da região. Esta neve antecipada levou a cidade a ativar mais cedo o aquecimento das residências e prédios comerciais, pressionando a já elevada queima de combustíveis fósseis. E tome poluição!

Mas é claro que nem neve, nem chuva, muito menos o frio, foram suficientes para aplacar meu ânimo em conhecer um pouco da cidade. E foi o que fiz num breve mas atento mergulho pelas largas avenidas, ruelas, monumentos, prédios modernos, estações de metrô (que metrô!), restaurantes e mercados de Pequim.

Desse breve e atento mergulho em Pequim, emergi com a certeza de que, assim como o Brasil, a China não é para principiantes. Conhecê-la leva tempo. E esse tempo para mim apenas começou!

Paulo D. Branco

 

Interessante iniciativa do Projeto Saúde e Alegria: o Projeto Territórios de Aprendizagem, fruto da parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Santarém e do apoio do Programa Norte de Saberes da Fundação Carlos Chagas, surge com o intuito de trazer referências pedagógicas que possam contribuir no processo de conquista das melhorias necessárias à educação no contexto amazônico.

O programa compreende a escola a partir do conceito de território – espaço marcado não apenas pelas características geográficas, como também pelas relações humanas – auxiliando os sujeitos na compreensão de sua realidade, para que se tornem cidadãos mais críticos e reflexivos e que possam assim agir sobre ela.

O principal objetivo da iniciativa é colaborar para a redução do espaço entre o ensino formal e a realidade sociocultural e ambiental dos alunos, possibilitando a construção de uma aprendizagem significativa que resulte na melhoria dos indicadores de sucesso escolar. Para alcançar este objetivo, o conceito de comunidades de aprendizagem é trabalhado, onde o coletivo passa a valorizar e vivenciar seus saberes comunitários dentro escola.

Lívia Pagotto

 

 

A Floresta com Araucárias é um dos ecossistemas mais ameaçados do Brasil com apenas 2% da cobertura original ainda restante. A principal causa do desmatamento foi o ciclo madeireiro da segunda metade do século XX.

Além da perda da biodiversidade, a atividade deixou a região com sérios problemas: os investidores se deslocaram para outros locais, a exploração extrativa dos poucos remanescentes florestais permaneceu para muitos como única alternativa de sobrevivência das famílias rurais, ao mesmo tempo em que o esgotamento desses recursos põe em risco a própria sobrevivência dessas famílias.

Araucária + surgiu em 2013 a partir desse contexto. Uma parceria entre a Fundação Grupo Boticário e a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (CERTI) e tem como objetivo a recuperação e conservação da chamada Floresta Ombrófila Mista (FOM), ou Floresta com Araucárias, nos municípios da Serra Caterinense.

O projeto busca atingir seu objetivo alavancando novos produtos e mercados por meio de estimulo à produção sustentável por parte do produtor rural. O pinhão e a erva-mate foram matérias primas foco do projeto. O primeiro é semente da araucária e a segunda é uma árvore nativa da Floresta com Araucárias.

A iniciativa articula, organiza os produtores rurais ao mesmo tempo em que interage com empresas privadas que buscam matérias-primas sustentáveis e estão dispostas a pagar um preço diferenciado por elas, gerando assim um incremento de renda e evitando o êxodo rural de pequenos produtores.

Araucária + foi um dos casos selecionados pela iniciativa Inovação em Desenvolvimento Local, do GVces, por oferecer uma solução sistêmica na medida em que envolve os atores locais, incluindo não apenas os que fazem parte da cadeia de valor, mas também governo, instituições de pesquisa, investidores, ONG’s, entre outros. O princípio do valor compartilhado por meio dessa estruturação gera benefícios ambientais, econômicos e sociais.

A iniciativa encontra-se ainda em fase de implantação. Durante a apresentação feita na quarta oficina de Inovação em Desenvolvimento Local, Marcos Da-Ré, da Fundação Certi, comentou que os principais desafios até o momento eram decorrentes da dificuldade na organização da base de produtores rurais, já que o projeto envolve mudança nos hábitos produtivos e culturais que existem na região há gerações. A falta de recursos financeiros dos produtores para implementar as mudanças e atingir uma escala de considerável ganho socioambiental foram outros desafios apontados.

Milene Fukuda

 

 

O projeto Inovação em Desenvolvimento Local é uma parceria entre duas das Iniciativas Empresariais organizadas pelo GVces – Desenvolvimento Local e Grandes Empreendimentos (IDLocal) e Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor (ISCV) -, com apoio do Citi e patrocínio da Citi Foundation.

O objetivo principal do projeto conjunto é fomentar a inovação na atuação e nos relacionamentos de grandes empresas nos territórios onde elas estão inseridas.

Parte das atividades de Inovação em Desenvolvimento Local foi uma chamada de casos que ilustram na prática o que está acontecendo de inovador no campo de desenvolvimento local em territórios impactados por grandes empresas e suas cadeias de valor. Foram 44 casos recebidos, 13 pré-selecionados para visitas e 10 escolhidos para compartilharem suas experiências numa oficina que aconteceu dia 3 de setembro, além de integrarem a publicação que retratará o trabalho desenvolvido pela equipe do GVces e pelas empresas membro da iniciativa.

Toda semana vamos publicar aqui um dos casos selecionados para dar um gostinho do vem aí na publicação que estará pronta no final do ano. Traremos também as colheitas gráficas da oficina em que cada caso foi apresentado, feitas pela Atrium.

Conheça, comente, compartilhe!

 Milene Fukuda

 

Rio Xingu. Foto: dw_globalideas/Flickr (Creative Commons)

Fortalecimento da educação no campo, postos de saúde, melhoria do transporte público intermunicipal, acesso à tecnologia, apoio para a agricultura familiar. Esses são alguns dos temas que mobilizaram os cidadãos que participaram do concurso Webcidadania Xingu.

Lançado em julho de 2013, o projeto abriu um importante espaço de participação e a população foi convidada para oficinas de formação, incentivada a inscrever propostas via internet e apoiar e comentar outras ideias para 11 municípios da região do Xingu.

As propostas mais votadas em cada categoria serão entregues ao Comitê Gestor do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável (PDRS) do Xingu, aos governos municipais, estadual e ao governo federal, passando também a fazer parte de uma agenda de participação social. Saiba mais

Ricardo Barretto

 
Imagem de infográfico sobre os maiores financiamentos na AmazôniaEm parceria com a Agência Pública, O ECO lança a plataforma http://BNDESnaAmazonia.org, com gráficos e download de dados sobre o dinheiro público investido na região.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é o maior financiador de grandes projetos na Amazônia. Utilizando fundos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e aportes feitos pelo Tesouro Federal, o banco financia consórcios e empresas responsáveis pela construção de barragens para geração de energia hidrelétrica, linhas de transmissão, termelétricas e outros de projetos de grande impacto ambiental.
O banco de dados, fruto do trabalho de investigação conjunta do site ((o))eco e da Agência Pública, concentrar informações sobre financiamentos do BNDES na Amazônia e permite conhecer o perfil das empresas financiadas, o total de recursos investidos em cada projeto bem como o ranking de investimentos desde 2008. Os dados foram organizados a partir de planilhas disponíveis no site do próprio BNDES e serão atualizados.
Leia a série de reportagens completa: http://www.oeco.org.br/bndes-na-amazonia
Todos os dados estão disponíveis para download em formato CSV.

 

Um filme que nos ajuda a refletir sobre o impacto de grandes empreendimentos no interior do Brasil sobre comunidades tradicionais locais é “Narradores de Javé”, que conta a história de um povoado ameaçado de extinção porque será alagado por uma hidrelétrica. Nesse cenário de destruição iminente, a comunidade se reúne para resgatar a história desse lugar.

Deem uma olhada no trailer do filme!

Uma das pérolas desse filme é quando uma senhora pergunta aos demais membros da comunidade: “Como é que nossos mortos vão viver debaixo d’água?? Não pode!!”.

Letícia Arthuzo, Desenvolvimento Local/GVces

 

Criada a partir de elementos da mitologia indígena, essa animação brasileira conta em quatro episódios a história de um personagem fantástico, que participa de um combate entre índios das etnias tupinambá e tupiniquim, antes da chegada dos europeus; da revolta Balaiada, em 1838, no Maranhão, e do combate á ditadura por militantes de esquerda, no final dos anos 1960. Uma obra interessante para pensar as populações locais em busca de seu desenvolvimento e a relação com o Estado.

Uma história de amor e fúria

 

Depoimento de Cinthia Dall’Agnol, uma das novas pesquisadoras do programa Desenvolvimento Local do GVces, sobre seu primeiro contato com o município que é foco do projeto Indicadores de Juruti

Foram dois vôos, três horas em meio a cochilos em Santarém e uma viagem em um pequeno avião executivo da Alcoa até Juruti. Não houve muito tempo pra refletir que foram deixadas pra trás oportunidades de trabalhos convencionais em escritórios administrativos, ao passo que eu iniciava uma avenida profissional em uma das regiões mais complexas do mundo, com conflitos e riquezas socioambientais de tamanha grandeza que nem mesmo os sistemas computacionais mais inovadores conseguiram resolver ou valorar. Mas, vendo toda aquela imensidão do alto, os estímulos visuais roubaram toda e qualquer possibilidade de pensar no que havia ficado pra trás, em São Paulo. De cima, a visão de solo paraense: tons de areia se mesclavam com o verde queimado das secas da floresta e áreas levemente alagadas que mais pareciam grandes poças. Foram 30 minutos e de repente, sobrevoamos a pista amarronzada de pouso, que impondo certa insegurança, colocava em rápida proximidade a pequena aeronave bimotor e a curta faixa de terra batida.

Descendo da aeronave, o jeito de chegar ao centro urbano da cidade também fugiu do convencional meio de transporte paulistano: carona com o pai de uma das passageiras. Nos primeiros instantes da viagem, a surpresa. Tratava-se do ex-prefeito de Juruti, que sem hesitação traçou toda sua crítica às controvérsias políticas da ultima eleição em que foi candidato. Há pouco da minha chegada no projeto dos “Indicadores de Juruti”, adentrando o município, já de cara com controversas oposições sociopolíticas.

A cidade, em um primeiro olhar, gritava a ausência de infraestrutura. Quase não se viam pessoas na rua. Era uma criança ou outra empinando pipa ou brincando com gravetos em frente de suas casas até a chegada na casa em que a equipe do GVces se hospeda. Portões escancarados, janelas e portas abertas sinalizavam o mais verdadeiro “de portas abertas” à comunidade que pude imaginar.

A primeira viagem, curta, de 5 dias, fez com que Juruti parecesse enorme, ainda me pairava dúvidas do caminho a pé pra casa. Pareceu-me apenas que faltava o Estado, em tão pouco tempo, não foi possível respirar os ares jurutienses com a supressão de pressupostos que a cidade merece ao me receber com tamanha hospitalidade. Foi preciso aguardar até um segundo campo, mais extenso, de 12 dias, para deixar de ver exclusivamente os incipientes serviços públicos se estruturando, e passar a enxergar todo um processo de desenvolvimento, dirigido por atores sociais dispostos a contribuir para construção coletiva de seu município. E o reflexo disso era nítido na receptividade e na confiança que cada jurutiense demonstrava pelo colorido livro dos Indicadores, fruto do trabalho de uma equipe que, em partes, não mais trabalha neste projeto. Mas que, para cada jurutiense, encontra-se refletida nas cores do livro, nas discussões encaloradas, em cada métrica construída. Os nomes de cada um que por lá esteve continuam a ser mencionados com um sentimento de sinceras saudades.

E à equipe nova, fica um novo campo em uma mesma Juruti: sua população, seu comércio, suas instituições públicas já reconhecem a importância dos indicadores no retrato e avaliação do desenvolvimento de sua cidade. Resta a nós, verdadeiramente colaborar para que essa ferramenta pública não retrate Juruti apenas da chegada de um grande empreendimento, como uma mina de exploração mineral. Mas que acompanhe o que Juruti já foi e o que virá a ser, e torne público seu desenvolvimento. Que contribua para a construção de uma transparência necessária a fim de que a comunidade se reconheça e guie, conscientemente, suas próprias decisões.

Cinthia Dall’Aagnol
Programa Desenvolvimento Local

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