Em comunidades espalhadas pelo interior do Brasil, desde os rincões da Amazônia até o sul do país, a energia solar está chegando e transformando as vidas de milhares de pessoas, com mais energia e qualidade de vida e menos poluição e custos na conta elétrica.

O Greenpeace Brasil lançou no último dia 12 o webdocumentário “Sol de Norte a Sul”, que registra e conta as histórias e as pessoas que estão vivendo a transformação causada pela chegada dos painéis fotovoltaicos e pela produção de energia limpa e mais barata.

O webdocumentário está dividido em quatro seções. Uma mostra quais são benefícios sociais que a energia solar traz ao País. Além de gerar empregos, as histórias mostradas ali contam como brasileiros passaram a ter água limpa, salas de aula mais adequadas e contas de luz mais baixas. A segunda parte é dedicada aos entraves que não permitem a ampla disseminação dessa fonte limpa de energia, como o excesso de tributos que encarecem os sistemas. Hoje, apenas 0,02% da eletricidade do Brasil vem de placas fotovoltaicas. Em seguida, conhecemos quatro histórias de brasileiros que, mesmo com todos os empecilhos, apostam na energia do sol.

A quarta e última seção da plataforma traz um mapa do mundo para que os internautas insiram iniciativas ligadas à energia solar que conhecem. Esse mapa será, em breve, um amplo panorama de como a energia solar está ganhando espaço no Brasil e no mundo.

“As histórias contadas aqui são só alguns exemplos dos muitos benefícios da energia solar. Mas apenas três em cada dez brasileiros sabem que podem gerar sua própria energia. Com esse webdoc, esperamos contribuir para que esse número cresça. E queremos chegar a 1 milhão de casas com telhados solares num futuro próximo no Brasil”, diz Bárbara Rubim, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

O webdocumentário está disponível gratuitamente no site http://soldenorteasul.org.br/

Bruno Toledo

 

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que tem entre seus membros o GVces, reconhece avanços no conjunto de contribuições anunciadas pelo governo brasileiro para o acordo mundial sobre o clima (INDC), mas salienta uma necessária interação entre sociedade e governo para acompanhamento de métricas e de mecanismos de implementação. O movimento dará início, agora, a um mergulho nos marcos econômicos relacionados à INDC para entender as demandas e desdobramentos necessários. Em novembro, apresentará conclusões, de forma a auxiliar nos debates da COP 21.

Presidente Dilma Rousseff anunciou a INDC brasileira no último domingo, durante a Conferência da ONU para a Agenda do Desenvolvimento Pós-2015 (foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República)

Representantes da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura analisaram as contribuições brasileiras para o acordo do clima, a chamada INDC, e concluíram: os números propostos são expressivos, demandarão muito esforço na implementação e alinhamento entre a sociedade, os setores produtivos e o governo. O movimento — composto por mais de 100 empresas, organizações da sociedade civil, centros de pesquisa e entidades setoriais, entre elas o GVces — observa que a redução de emissões de GEE (Gases do Efeito Estufa), de 37% até 2025 e de 43% até 2030 com base em 2005, é mais expressiva do que se sinalizava até então.

Os itens abordados no anúncio da INDC renderam duas ressalvas: ainda não foi definida a previsão de curto prazo, imediata, e há necessidade de maior envolvimento da sociedade nas métricas e nos mecanismos de implementação nas várias frentes. “É valioso observar que houve um compromisso de aliar os diversos setores pela meta global de não ultrapassar o aumento da temperatura média do planeta para além de 2°C, a ser pactuado na Conferência da ONU para a Mudança do Clima, a COP-21, que acontece em dezembro, em Paris”, salienta Celina Carpi, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos. “Mas a interação com a sociedade será fundamental daqui para frente para garantirmos mecanismos que concretizem as contribuições. Esse é, de fato, o grande desafio do Brasil.”

Com a publicação das contribuições brasileiras, a Coalizão inicia agora um mergulho nos marcos econômicos citados no documento. A equipe de especialistas pretende estudar demandas, desdobramentos e esforços necessários para colocar em prática os compromissos do país. Em meados de novembro, estará pronta uma avaliação de impactos macroeconômicos, sociais e relativos às emissões, de maneira que possa agregar dados às discussões da COP e para trabalhar junto com o governo. “A Coalizão tem propostas e instrumentos para contribuir com a implementação dos compromissos assumidos. Acreditamos que por meio do diálogo do governo com a Coalizão, com o setor empresarial e com os vários segmentos envolvidos nessa frente, será possível traçar um plano tático operacional, que levará ao caminho para uma economia de baixo carbono”, diz Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds).

Mudança de uso da terra continua sendo uma frente crucial de ação para conter as emissões de gases de efeito estufa no Brasil (foto: Wikimedia Commons)

Ponto por ponto

No que se refere ao uso da terra e à agropecuária, o anúncio envolveu 32 milhões de hectares: 12 milhões ligados à recuperação de florestas, 15 milhões vinculados a pastagens e outros 5 milhões à integração lavoura-pecuária-floresta. “Não se trata de um total trivial, pois o volume é significativo”, aponta Roberto Waack, presidente do conselho da Amata. Entretanto, estudos indicam que a área total de florestas a ser recuperada pode ser bem maior. Chegar a essa dimensão com mais exatidão dependerá da consolidação dos próprios estudos, da aplicação do CAR (Cadastro Ambiental Rural) e do Código Florestal. “O compromisso da Coalizão é com os números que vierem da implementação do Código. Portanto, se ele indicar que a área potencial é maior do que aquela anunciada na INDC, a Coalizão trabalhará com esse novo número”, explica Roberto.

Beto Mesquita, diretor de Estratégia Terrestre da Conservação Internacional, destaca outro aspecto: “É fundamental também detalhar essa meta entre as diferentes formas de reflorestamento — restauração de ecossistemas, restauração produtiva e plantações florestais homogêneas — considerando que cada uma delas apresenta potencial de armazenamento de carbono diferente, além de produzirem impactos distintos na resiliência climática e hídrica, tanto para a agricultura quanto para as cidades”.

Já a escala apresentada para a recuperação de pastagens degradadas foi classificada como relevante pelas lideranças da Coalizão. A ordem de grandeza alinha-se com as expectativas do movimento. O vínculo mencionado entre agropecuária e floresta também é importante. No entanto, mais uma vez, a questão-chave que se coloca são os mecanismos para se alcançar os resultados esperados. Mauro Armelin, superintendente de Conservação do WWF, explica: “Precisamos detalhar quais esforços tecnológicos o governo pretende adotar, quais incentivos financeiros e como se dará o aperfeiçoamento de programas já existentes, como o Plano ABC (Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixo Carbono na Agricultura)”.

A maior ambição ficou por conta da integração de lavoura-pecuária-floresta, em 5 milhões de hectares. “Essa integração ainda é incipiente no Brasil, começaremos praticamente do zero”, diz Gustavo Junqueira, presidente da Sociedade Rural Brasileira. Segundo ele, o tema requer muita pesquisa para entender o impacto relativo às efetivas emissões, bem como instrumentos financeiros e jurídicos para viabilizar a implantação do Código Florestal e o avanço da produtividade nas propriedades rurais. “Além disso, o Brasil também terá de criar mecanismos para estabelecer segurança jurídica, essencial na garantia dos investimentos necessários para consolidar a integração. Trata-se de uma fronteira que o país está assumindo perante o mundo.”

Meta do governo brasileiro é zerar desmatamento ilegal no Brasil até 2025 (foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Bem antes de 2030

A Coalizão entende que o fim do desmatamento pode acontecer muito antes de 2030. “Não podemos ficar confortáveis esperando mais 15 anos para pôr fim a essa situação”, aponta João Paulo Capobianco, presidente do Conselho Diretor do Instituto Democracia e Sustentabilidade. “Para isso, como determina a Constituição e a legislação em vigor, é urgente lançar mão de todos os instrumentos de apoio na identificação e punição severa de quem provoca o desmatamento, bem como de incentivos que precisarão ser amplamente utilizados”, acrescenta Miriam Prochnow, secretária executiva do Diálogo Florestal. A Coalizão listou recursos que auxiliam na minimização gradual do desmatamento ilegal, de maneira que esse impacto nas emissões do país se torne residual em 2030. É preciso fazer tudo funcionar muito rápido.

“Antecipar o fim do desmatamento ilegal estaria de acordo também com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, aponta Rachel Biderman, diretora executiva do WRI Brasil (World Resources Institute). A meta 15.2 dos ODS determina que até 2020 todos os países promovam a implementação da gestão sustentável de todos os tipos de florestas, deter o desmatamento, restaurar florestas degradadas e aumentar o reflorestamento de maneira substancial globalmente.

Ainda dentro desse debate, o movimento acrescenta que o país deve participar ativamente da valorização da floresta tropical, dos mecanismos de pagamento pelos serviços ambientais, dos mecanismos de precificação de carbono, do manejo florestal sustentável e da eliminação da ilegalidade na madeira. “Esses pontos estarão nas discussões de Paris e devem ser considerados pelo governo”, reitera José Penido, presidente do conselho da Fibria Celulose.

Quanto à área de energia, a meta de participação de 16% de etanol carburante e demais biomassas derivadas da cana-de-açúcar no total da matriz energética brasileira para 2030 mantém a participação que o etanol e a bioeletrecidade já têm hoje. “Dependendo das estimativas de crescimento da demanda de energia, isso pode exigir um esforço de investimento considerável”, avalia Elizabeth Farina, diretora-presidente da União Nacional das Indústrias da Cana-de-Açúcar (Unica).

Por fim, os membros da Coalizão lembram que é preciso que haja uma valorização pelo mercado internacional de todos os esforços em prol da sustentabilidade ambiental. O comércio internacional precisa reconhecer e valorizar os compromissos para se atingir as metas climáticas. Finalmente, para a Coalizão, a INDC apresentada somada à aspiração do movimento terão enorme potencial na cooperação Sul/Sul e no desenvolvimento dos países do hemisfério sul do planeta dentro de uma nova ordem econômica, baseada na baixa emissão de carbono.

 

 

Quais são os fatores mais importantes para o desenvolvimento do ambiente empreendedor das capitais brasileiras? Em que áreas gestores públicos e organizações de fomento deveriam focar esforços para impulsionar o crescimento de empresas? Como ajudar empreendedores a escolher a cidade com as melhores condições para seu negócio?

Essas são algumas das perguntas que o Índice de Cidades Empreendedoras (ICE) pretende responder. Lançado pela Endeavor Brasil, o estudo traz uma verdadeira radiografia sobre o potencial do ambiente empreendedor de 14 capitais brasileiras analisadas no ano passado, de forma a ajudar governos e empreendedores a mapearem os pontos positivos e os desafios que cada cidade tem ao desenvolver seu ambiente de negócios. O ICE é baseado em metodologias internacionais e analisou mais de 50 indicadores, divididos em sete pilares: ambiente regulatório, acesso a capital, mercado, inovação, infraestrutura, capital humano e cultura empreendedora.

Saiba mais sobre as principais conclusões do estudo aqui.

Flora Arduini

 

Uma nova pesquisa do Instituto Datafolha mostra que o brasileiro está muito preocupado com as mudanças climáticas e acha que o governo não compartilha dessa preocupação.

Segundo o levantamento, encomendado pelo Observatório do Clima e pelo Greenpeace Brasil, 95% dos cidadãos acham que as mudanças climáticas já estão afetando o Brasil. Para nove em cada dez entrevistados, as crises da água e energia têm relação direta com o tema, sendo que para 74% há muita relação entre a falta de água e energia e as mudanças do clima. No entanto, para 84% dos entrevistados, o poder público não faz nada ou faz muito pouco para enfrentar o problema. O Datafolha ouviu 2.100 pessoas em todas as regiões do país.

Os entrevistados também apontaram possíveis formas para resolver o problema. Entre as soluções apontadas estão a redução do desmatamento, melhorias no transporte coletivo e investimentos em energias renováveis. Mais de 80% dos brasileiros acham que essas ações inclusive trarão benefícios para a economia nacional.

A pesquisa mostrou, ainda, que o brasileiro se enxerga como parte da solução: 62% dos entrevistados estão dispostos a instalar um sistema de microgeração de energia solar em casa – equipamentos conhecidos por 74% do público consultado. Diante da hipótese de ter acesso a uma linha de crédito com juros baixos e a possibilidade de vender o excesso de energia para a rede elétrica, o percentual e interessados sobre para 71%.

Sobre a atuação do governo, a pesquisa Datafolha mostra que o brasileiro tem uma percepção bastante crítica: para 48%, o governo federal está fazendo menos do que deveria em relação às mudanças climáticas; para 36%, ele simplesmente não está fazendo nada. Os mais críticos são os brasileiros das regiões Nordeste e Sudeste. Mas, para 2/3 dos entrevistados, o Brasil deveria assumir uma posição de liderança no enfrentamento do problema em nível internacional. No Nordeste, esse índice chega a 74%.

A pesquisa também confirma que existe um bom entendimento das causas das mudanças do clima. Apresentados a nove possíveis causas, os entrevistados apontaram com mais frequência desmatamento (95%), queima de petróleo (93%), atividades industriais (92%), queima de carvão mineral (90%) e tratamento de lixo (87%).

A pesquisa foi realizada entre 11 e 13 de março de 2015. O Datafolha utilizou metodologia quantitativa, realizando entrevistas pessoais e individuais em pontos de fluxo populacional de 143 municípios de pequeno, médio e grande porte com pessoas com mais de 16 anos de idade. A margem de erro para o total da amostra é de 2,0 pontos percentuais para mais ou para menos. Clique aqui para acessar a pesquisa na íntegra. Confira também a matéria exibida no Fantástico (TV Globo) no último dia 17 sobre a pesquisa.

Bruno Toledo (com informações do Observatório do Clima)

 

No post a seguir, Paulo Vodianitskaia faz um convite sobre como trazer para a vida cotidiana as ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, que se fazem urgentes com os recentes alertas dos relatórios do IPCC.

“Em meio a um mundo virtual de informações desconexas, torna-se difícil para nós refletir sobre o que lemos. Lanço a você um desafio: refletir profundamente sobre como as mudanças do clima causadas pelo aquecimento global podem interferir em nosso futuro, e o que devemos fazer agora. Este é um tema que lhe parece relevante?” Saiba mais

Mario Monzoni

 

A Revista Educação fez uma seleção especial de 10 filmes inspiradores para refletir sobre educação – o papel do professor, do aluno e do sistema educacional. Confira abaixo a lista e saiba mais sobre os filmes aqui.

1. “Quando sinto que já sei” (2014, Brasil), de Antonio Salgado, Raul Perez e Anderson Lima

Custeado por meio de financiamento coletivo, o filme registra práticas inovadoras na educação brasileira.

2. “A Educação Proibida” (2012, Argentina), de German Doin e Verónica Guzzo

Gravado em oito países da América Latina, o documentário problematiza a escola moderna e apresenta alternativas educacionais desenvolvidas na região.

3. “Pro dia nascer feliz” (2006, Brasil), de João Jardim

O filme mostra o cotidiano permeado de desigualdade e violência de jovens de quatro escolar públicas brasileiras.

4. “Além da sala de aula” (2011, EUA), de Jeff Bleckner

Baseado em fatos reais, o filma narra a trajetória e os desafios enfrentados por uma professora recém-formada em uma escola temporária para sem tetos.

5. “Sementes do nosso quintal” (2012, Brasil), de Fernanda Heinz Figueiredo

A infância é o tema central do documentário, que foca no cotidiano da Te-Arte, uma escola infantil inovadora que foca no estímulo da criatividade infantil, e na trajetória da idealizadora Thereza Soares Pagani.

6. “Quando tudo começa” (1999, França), de Bertrand Tavernier

Em meio à miséria e à indiferença do governo francês, um professor de uma escola pública se envolve com as situações vividas pelas famílias das crianças e protesta contra as políticas sociais do país.

7. “Paulo Freire – Contemporâneo” (2006, Brasil), de Toni Venturi

Entrevistas com familiares, pedagogos e o próprio Paulo Freire apresentam o pensamento e a atemporalidade do método de alfabetização do educador.

8. “Tarja Branca” (2014, Brasil), de Cacau Rhoden

Tratado com serenidade, o direito de brincar é o tema desse documentário, que aborda o conceito de “espírito lúdico” e convida para a reflexão do desenvolvimento do homem adulto.

9. “Entre os muros da escola” (2008, França), de Laurent Cantet

Uma sala de aula na periferia de Paris simboliza o choque cultural presente na França contemporânea. O longa é baseado em livro homônimo de François Bégaudeau, protagonista da narrativa.

10. “Mitã” (2013, Brasil), de Lia Mattos e Alexandre Basso

Educação, espiritualidade, tradição e cultura da criança se misturam na narrativa, inspirada pelos pensamentos de Fernando Pessoa, Agostinho da Silva e Lydia Hortélio.

Maria Piza

 

No mês passado, aconteceu em Bogotá (Colômbia) o Fórum “De la Minería como Daño a La Minería como Oportunidad”, realizado no âmbito da quarta reunião do Grupo de Diálogo Latinoamericano, que reúne os Grupos de Diálogo nacionais sobre Mineração, incluindo o brasileiro – do qual o programa Desenvolvimento Local do GVces faz parte.

O Forum contou com a presença de cerca de 50 participantes, entre eles: Care, Avina, WWF (escritórios latinoamericanos), mineradoras, especialistas (consultores, professores), líderes indígenas e integrantes dos Grupos de Diálogo regionais. O principal objetivo foi promover o diálogo entre os diferentes setores da sociedade em torno da atividade mineradora na América Latina.

O grande tema foi: como migrar da noção da mineração como dano para a noção de oportunidade (e quais são as novas narrativas que podemos construir nesta direção).

Foram 4 painéis, com uma ideia central: importância do diálogo entre as partes envolvidas na atividade mineradora, e como ele pode impulsionar transformação social no contexto da mineração.

Além disso, focou-se em algumas temáticas específicas relacionadas à atividade mineradora: políticas públicas, ordenamento e gestão territorial, participação cidadã e indígena, e geração de riqueza e dignidade humana.

A próxima reunião do Grupo de Diálogo Brasileiro: Mineração, Democracia e Desenvolvimento Sustentável acontecerá em Belém, em novembro, e nós estaremos lá!

Lívia Pagotto

 

“Estratégias de investimento em mercados emergentes: novos caminhos e políticas para crescimento verde”. Esse foi o foco do evento promovido pelo Economy Policy Forum (EPF) e pela Emerging Market Multinationals Network for Sustainability (EMM) em Berlim, na Alemanha, em setembro.

Realizado com apoio do Ministério de Desenvolvimento e Cooperação Econômica da Alemanha e pelo Gesellschaft für Internationale Zusammernarbeit (GIZ), esse encontro mostrou casos de sucesso que aliaram práticas mais sustentáveis e lucro em países emergentes. No evento, fazendo parte da comitiva da GV Projetos, apresentei junto com a Márcia Nejaim (Apex-Brasil) nosso projeto Inovação e Sustentabilidade nas Cadeias Globais de Valor (ICV Global).

Pude perceber a relevância dos países emergentes para a agenda global de sustentabilidade. Não só pela dimensão dos desafios, mas em especial pelo potencial de inovação em políticas públicas e modelos de negócios, estes países e suas respectivas empresas ocupam cada vez mais destaque na busca por novos modelos de desenvolvimento.

Isto, sem dúvida, coloca o Brasil em evidência como um ator chave no cenário internacional.

Clique aqui para acessar as apresentações feitas no evento.

Paulo Branco

 

Um artigo recente de André Meloni Nassar e Marcelo Moreira, da Agroicone, publicado no Estadão, aborda uma iniciativa louvável no contexto da realização da Copa do Mundo FIFA 2014 no Brasil: 200 voos comerciais, partindo do Rio de Janeiro em direção às demais sedes do Mundial, estão sendo abastecidos com biocombustível. O objetivo dessa iniciativa é usar eventos internacionais, como a Copa, para promover o uso de biocombustível em escala comercial na aviação civil – algo importante, tendo em vista o enorme desafio do setor em reduzir suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) em 50% até 2050 (em comparação a 2005). Como os próprios autores colocam, esse desafio abre uma enorme oportunidade para o Brasil, e essa iniciativa durante a Copa é um passo importante para o aproveitamento desse potencial.

Mas nem tudo é positivo nessa história: nenhum dos 200 voos realizados no espaço aéreo brasileiro usou biocombustível produzido no Brasil. Nenhuma gota.

Esse absurdo acontece não por causa de problemas de competitividade do produto brasileiro, nem por falta de disponibilidade no Brasil. A resposta: “o que impede o uso do produto brasileiro é o excesso de burocracia, disseminado em vários setores e, em particular, no nosso governo”. Dificuldades na aprovação do bioquerosene brasileiro no próprio Brasil, produzido a partir do açúcar da cana, levaram o país a uma situação “esdrúxula”, como Nassar e Moreira colocam: ele pode ser usado em voos comerciais no exterior, mas não pode abastecer aeronaves que operam dentro do Brasil.

Em suma, a iniciativa de uso de biocombustível na aviação comercial durante a Copa do Mundo somente foi possível devido à importação desse produto. Isso sem falar na questão tributária, que atinge diretamente a competitividade do biocombustível brasileiro, e que também é abordada no artigo.

No meio dessa história toda, fica uma dúvida pertinente: será que os combustíveis renováveis estão na pauta de prioridades de quem gerencia as políticas do setor energético no Brasil?

Betania Villas Boas

 

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, o ano de 2013 foi o sexto mais quente da história; além disso, 13 dos 14 anos mais quentes também foram registrados no século XXI. Os cientistas não têm dúvidas de que o aquecimento global é uma realidade e esse fenômeno é decorrência da atividade humana.

A cidade de São Paulo nunca havia registrado um mês tão quente na história quanto janeiro de 2014; os registros começaram a ser feitos em 1943. Em Porto Alegre, onde as medições começaram em 1916, este mês foi o mais quente entre os meses de janeiro desde que as medições começaram. Os motivos que levaram a essas altas temperaturas são diversos e a ciência ainda não consegue comprovar uma relação direta entre as mudanças climáticas e tais eventos do início de 2014. Dentro desse cenário, temos duas opções: acreditar que não temos nada a ver com o assunto e torcer para as coisas melhorarem ou utilizar o princípio da precaução. O princípio da precaução foi formulado pelos gregos e significa ter cuidado e estar ciente. Precaução relaciona-se com a associação respeitosa e funcional do homem com a natureza. Trata das ações antecipatórias para proteger a saúde das pessoas e dos ecossistemas. Precaução é um dos princípios que guia as atividades humanas e incorpora parte de outros conceitos como justiça, equidade, respeito, senso comum e prevenção.

Por conta das altas temperaturas, a utilização de aparelhos de ar condicionado disparou no país e o consumo de energia elétrica nacional também subiu. O Sistema Interligado Nacional não suportou e na última terça-feira (4 de fevereiro), ocorreu o apagão que atingiu 13 estados. Para evitar novos apagões, o governo pretende utilizar força máxima nas usinas termelétricas, aumentando ainda mais as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Além disso, como existe a preocupação de novos apagões, muitas empresas já começam a investir em geradores de energia elétrica a óleo diesel, aumentando também as emissões de GEE e a poluição local.

Ao invés de focar na origem do problema, as soluções adotadas tendem a criar um ciclo vicioso, no qual as emissões aumentam a temperatura do planeta, que provoca mais emissões por conta do aumento da queima de combustíveis fósseis, que aumenta mais a temperatura do planeta e assim por diante. Muitas pessoas me perguntam quando vamos começar a sentir os efeitos das mudanças climáticas, pois acham que se trata de um fenômeno que vai atingir nossos netos e bisnetos. As mudanças estão aí e, pelo que as últimas semanas vêm demonstrando, não estamos nos esforçando o suficiente para reverter esse quadro.

Ricardo Dinato

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