7o Fórum Mundial da Água ocorreu entre os dias 12 e 17 de abril nas cidades Daegu (foto) e Gyeongbuk, na Coreia do Sul. Promovido pelo Conselho Mundial da Água, o maior evento internacional sobre o tema ocorre a cada três anos e, em 2015, contou com a participação de 40 mil visitantes de 168 países, incluindo nove chefes de estado, 80 ministros e 100 delegações oficiais.

Durante o Fórum, este conjunto de atores multilaterais buscou soluções inovadoras para os atuais e futuros desafios da gestão sustentável da água, um bem público cada vez mais escasso e precioso. Em Daegu, o “Pavilhão Brasil” reuniu os brasileiros que participaram do Fórum, onde foram feitas apresentações por diversos atores envolvidos no tema. Foram apresentados, entre outros, os projetos que receberam o Prêmio ANA 2014 (categorias empresa, ensino, governo, imprensa, ONG, organismos de bacia e pesquisa e inovação tecnológica).

Os pesquisadores do Programa Política e Economia Ambiental do GVces, Alexandre Gross e Guilherme Lefèvre, foram convidados pela Agência Nacional de Águas (ANA) a apresentar os resultados da pesquisa “Análise custo-benefício de medidas de adaptação às mudanças climáticas na bacia hidrográfica do PCJ”.  O Estudo (pdf), encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente e realizado em parceria com a ANA, buscou aprofundar o entendimento sobre a aplicação de análises custo-benefício para a priorização de medidas adaptativas em um cenário de mudanças climáticas na Bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. A pesquisa foi apresentada na programação do Fórum durante o evento “Enhancing resilience through robust water policies and appropriate water management”, organizado pelo Alliance for Global Water Adaptation (AGWA) e UNESCO (International Hydrological Programme) e na agenda do Pavilhão Brasil.

Os resultados encontrados mostram que, sem processos adaptativos, as perdas econômicas incrementais na bacia representariam um percentual significativo do PIB da região em 2050. Em especial, só as perdas causadas pela mudança climática podem representar cerca de 25% a 40% destas perdas incrementais totais estimadas. Em outras palavras, um planejamento que não levasse em conta a mudança do clima estaria negligenciando pelo menos um quarto das perdas potenciais futuras causadas pela escassez hídrica nos usos analisados, ou seja, deixando de ver uma boa parte do problema.

O estudo também avaliou custos e benefícios da adoção de 10 medidas adaptativas, tais como a construção de barragens, reuso de águas cinzas, irrigação eficiente, incentivos econômicos etc.

As mudanças climáticas trazem impactos, traduzidos em desastres naturais e escassez de recursos ambientais, que já afetam e tendem a afetar ainda mais a economia e a sociedade brasileira. Medidas adaptativas devem ser pensadas como alternativas para evitar danos maiores às pessoas e ativos sob risco. Nesse contexto, a pesquisa apresentada durante o Fórum faz parte de um trabalho mais amplo realizado pelo GVces, que desenvolveu uma base teórica para a criação do Plano Nacional de Adaptação. O Plano, que vem sendo construído pelo governo federal, oferecerá uma estrutura regulatória para nortear a política brasileira em relação ao tema Adaptação. Seu objetivo maior é fortalecer a capacidade adaptativa do País, tornando nossa sociedade cada vez mais preparada para enfrentar os impactos da mudança global do clima.

Guilherme Lefèvre e Alexandre Gross

 

Passada a temporada de chuvas em SP, o alívio foi pouco: mesmo com os reservatórios mais cheios, o volume de água ainda está muito abaixo do desejado e o perigo de desabastecimento continua mais vivo do que nunca, principalmente nos próximos meses, com as estiagens de inverno.

Por isso, a economia de água continua sendo a ordem do dia no Estado de São Paulo. Para que possamos garantir melhores condições hídricas nos próximos meses, precisamos reduzir ainda mais o consumo de água. Os números continuam apontando para um desperdício grande de água no Brasil: o brasileiro consome em média 165 litros de água todos os dias, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que esse consumo poderia ser mais baixo, entre 50 e 100 litros, o que continuaria atendendo confortavelmente as necessidades diárias de cada pessoa.

E para nos ajudar nesse esforço de redução de consumo e uso mais racional de água, a Aliança pela Água, coalizão de organizações da sociedade civil preocupadas com a segurança hídrica do Brasil, lançou a publicação online Água – Manual de Sobrevivência para a Crise.

Além de dicas para economizar água, o manual ensina também estratégias para sobreviver ao colapso – ou seja, caso a falta de água se prolongue por muito tempo.

Para a Aliança pela Água, a segurança hídrica do país depende de três fatores fundamentais: zerar o desmatamento, despoluir os rios, e recuperar parte da cobertura florestal brasileira, a começar pelas áreas de manancial e margens dos rios. Além disso, o poder público, junto com a sociedade civil, precisa desenhar um planejamento de longo prazo para a gestão da água.

Confira algumas das dicas desse manual para enfrentar a crise hídrica atual:

- armazene a água do chuveiro enquanto ela esquenta e a use para lavar louça e roupas;

- água do banho pode ser utilizada para limpeza da casa, rega de plantas e descarga sanitária;

- escovar dentes com meio copo ou menos;

- alimentos que serão cozidos ou comidos sem casca não precisam passar por esterilização;

- embalagens descartáveis que serão recicladas podem ser limpas com guardanapo sujo ou resto de papel;

- carros podem ser limpos com pano ou bucha úmidos e calçada só com vassoura.

Bruno Toledo (publicado originalmente no blog do Observatório do Clima)

 

Passadas as eleições, a crise hídrica que se agrava em diversos estados se tornou a pauta do momento. Uma das vertentes dessa discussão trata diretamente de como nos adaptaremos às mudanças climáticas.

Na última semana, dois acontecimentos deram o que falar sobre o assunto e trouxeram informações importantes. Da perspectiva do Brasil, houve o lançamento do relatório “O Futuro Climático da Amazônia”, evento que teve apoio do Observatório do Clima. Já no panorama local da Cidade de São Paulo, aconteceu o lançamento da Aliança Água para São Paulo, puxada pelo Instituto Socioambiental, membro do OC, em parceria com outras instituições.

Para entender melhor a questão da água, será lançado esta semana, em São Paulo, o vídeo Água e Cooperação: Reflexões para um Novo Tempo, de João Amorim. O lançamento será na Sala Crisantempo, no dia 7/11, às 20h. Mais informações aqui.

Ricardo Barretto

 

O Instituto Socioambiental está mapeando propostas para a construção de um futuro sustentável e seguro para a água em São Paulo, a partir da plataforma de participação política Cidade Democrática.

Todos podem preencher o questionário online, que leva cerca de 10 minutos para ser respondido:  http://www.surveygizmo.com/s3/1777835/aguas-SP

Até 4 de setembro!

Ricardo Barretto

 

Está na programação da Virada Sustentável, que acontece esta semana em São Paulo, o documentário “A Lei da Água”, que fala da importância da preservação dos ecossistemas para provisão de água e como isso se relaciona com o novo Código Florestal.

O filme tem exibição no dia 31 de agosto, no Auditório do Ibirapuera, às 17h.

Abaixo o convite e aqui um trailer do filme.

Natalia Lutti


 

O projeto Águas do Cerrado – O futuro em nossas mãos, tem como objetivo recuperar a área das duas principais fontes de água da população do Distrito Federal, as bacias do Lago Paranoá e do Rio São Bartolomeu. Ambas estão ameaçadas pelo ritmo de urbanização e degradação dos córregos locais.

Idealizado pelo Ipoema, o projeto também busca promover o uso sustentável da água, por meio da implementação, replicação e difusão de tecnologias sociais de permacultura, visando a uma melhoria efetiva da gestão e conservação dos recursos hídricos.

O site do projeto já está no ar para mais informações e é uma plataforma que se estabelece como canal de comunicação entre todos aqueles interessados em sustentabilidade e com o público impactado diretamente pela iniciativa.

Leeward Wang

 

O Instituto de Engenharia Mecânica do Reino Unido publicou recentemente um novo estudo onde aponta que metade dos alimentos produzidos pelo planeta acaba sendo descartada, mesmo com milhões de pessoas passando fome em diversos lugares do planeta.

Segundo o estudo, este desperdício de alimentos resulta de uma série de fatores, desde as más condições de estoque dos produtos, passando por más práticas de consumo (em especial, nos países desenvolvidos) até a distribuição final do produto, que geralmente desfavorece localidades mais pobres – e, consequentemente, mais suscetíveis a problemas alimentares.

Além da questão alimentar, o estudo também indica um problema com a água. Cerca de 500 bilhões de metros cúbicos de água são consumidos para produzir alimentos que acabam sendo descartados posteriormente, o que torna ainda mais complexa e delicada a situação, num contexto de aumento populacional e de maior pressão sobre as reservas de água doce do planeta.

Você pode baixar este estudo na biblioteca virtual do GVces.

Desperdício no Brasil

O Brasil, um dos grandes produtores de alimentos do planeta, também sofre com o desperdício de boa parte de sua produção ao longo da cadeia produtiva. Mesmo com o investimento em tecnologia de ponta nas duas últimas décadas, que colocou o país entre os mais competitivos do agronegócio mundial, o problema do desperdício persiste, o que impõe sérios desafios para o Brasil.

No entanto, algumas iniciativas pontuais já desenham possíveis caminhos para enfrentar este problema no país, como o Banco de Alimentos, o projeto Favela Orgânica, entre outros. Aos poucos, a iniciativa privada também se articula para resolver esta questão, através de projetos e de modelos de produção, gestão e consumo que diminuem o desperdício de alimento (saiba mais aqui e aqui).

Mariana Nicoletti e  Letícia Freire

 

Inscreva-se para participar da nova edição do TEDxVilaMadá, no próximo dia 29, a partir das 18h no Teatro da Vila.

Nesta edição, o TEDxVilaMadá pretende estimular a reflexão a respeito da importância da água em nossas vidas sob as mais diferentes perspectivas, com o tema “Nosso Planeta Água”

Saiba mais sobre este evento aqui, e se inscreva aqui.

O TEDxVilaMadá conta com o apoio do GVces.

Ricardo Barretto

 

A Folha de S. Paulo publicou ontem, 28/07, artigo de José Vicente Ferraz, engenheiro-agrônomo e diretor técnico da Informa Economics FNP, com o título “Maior desafio é produzir mais alimentos com o menor custo”. Se a importância do acesso aos alimentos pela população de baixa renda é indiscutível, é preciso ter cautela na afirmação do título, para que o argumento não vire um tranpolim para iniciativas não sustentáveis.

Em tempos de Rio +20 e discussões sobre economia verde, os dois eixos devem caminhar entrelaçados: a sustentabilidade na produção e no consumo e o direcionamento da nova economia para a redução da pobreza. Do contrário, há o perigo de se cair em discursos vazios como o de empresas produtoras de organismos geneticamente modificados, que defendem suas sementes como uma forma de aumentar a produção e fazer chegar alimento aos menos favorecidos. A produção de transgênicos no mundo cresce anualmente – só a soja já passou dos 260 milhões de toneladas por ano – o que não significou fornecimento de alimentos para as populações pobres do mundo. Está aí a fome na Somália como exemplo.

Outro ponto que gera preocupação no artigo é em relação às soluções apontadas para o aumento da produção, como a intensificação da irrigação. Sabe-se que hoje, quase 70% da água doce utilizada em atividades humanas no planeta é destinada à agricultura – uso que muitas vezes acarreta escassez justamente para populações mais pobres. Daí a importância do fator sustentabilidade no contexto da produção de alimentos: não adianta produzir mais gerando passivos ambientais que não só comprometem os recursos naturais como acabam ameaçando, em primeiro lugar, os pobres que teoricamente se espera ajudar.

Vale questionar também o leque de soluções tecnológicas indicadas no artigo. Os OGMs, por exemplo, carregam consigo uma série de questionamentos, que vão desde o princípio da precaução até questões como o impacto de estratégias como sementes estéreis para os pequenos produtores. A discussão é longa e conhecida e não cabe detalhá-la aqui (mas vale dar uma olhada na Página 22). A questão é que existem outras formas de se aumentar a quantidade de alimentos disponíveis para consumo, como atuando no desperdício ao longo da cadeia de produção e consumo, que segundo a ONU gira em torno de 1,3 bilhão de toneladas por ano.

As verdades absolutas, típicas das iniciativas do século XX, não combinam com os preceitos da sustentabilidade, que procura olhar para a complexidade da relação entre sociedade e natureza. A economia verde, que estará em discussão na Rio +20, em maio de 2012, deve primar por soluções inteligentes, que nem sempre passam por inovações tecnológicas de alto custo, mas por outros tipos de inovação. Das mais singelas, como o melhor aproveitamento dos alimentos, passando por iniciativas de produção de alimentos no espaço urbano, até a adoção de novos modelos como os sistemas agroflorestais. Inovação, criatividade e uma boa dose de perspectiva socioambiental são fundamentais para a construção de uma economia verde e justa.

Ricardo Barretto

© 2016 GVces - Coletivo Sustentável Suffusion theme by Sayontan Sinha