Foto: Fabiane Secomandi (Flickr/Creative Commons)

A linha de frente de combate ao desmatamento ilegal ganhou uma nova ferramenta. O Instituto BVRio lançou um aplicativo para que compradores de madeira possam verificar se estão comprando madeira legal ao passar o telefone celular sobre o código de barras da Guia Florestal apresentada.

O Sistema de Verificação da Legalidade da Madeira, disponível para celulares Apple e Google Android, permite que construtoras, serrarias, fabricantes de móveis e atacadistas que compram madeira brasileira verifiquem com rapidez e segurança se seus fornecedores estão vendendo madeira de origem legal. O novo sistema será particularmente útil para exportadores, que precisam se adequar às normas dos mercados norte-americano (US Lacey Act) e europeu (EU Timber Regulation).

Baseado em análise de big data de um vasto banco de dados atualizado diariamente e de imagens de satélite de instituições como a Global Forest Watch, o Sistema de Verificação faz bilhões de cruzamentos de dados para detectar irregularidades e até a probabilidade de eventuais irregularidades ainda não descobertas por agências governamentais.

Em instantes, o Sistema permite analisar e cruzar dados como autorizações de exploração florestal, licenças ambientais, guias de transporte, além da existência de embargos ou infrações ambientais no âmbito federal e dos estados. O módulo base do Sistema de Verificação coleta, compila, e analisa tais informações, facilitando o acesso e compreensão. Ao consultar o número de uma guia de transporte florestal, o interessado recebe a informação completa sobre aquele lote de madeira.

Com apoio de um conselho consultivo formado por entidades como a certificadora Imaflora, a ONG Imazon, o Instituto Centro de Vida (ICV), a WWF Brasil, o World Resources Institute (WRI) e a madeireira certificada Amata, este Sistema de Verificação surge como um componente importante no processo de promoção da exploração responsável e sustentável da madeira tropical brasileira, hoje ameaçada pela exploração ilegal. Saiba mais aqui.

Paulo Branco

 

No período de 01 a 07 de novembro estive em Pequim, na China, onde participei do Sustainable Infrastructure Development – Challenges and Opportunities for Emerging Economies. O evento foi promovido pela GIZ, agência vinculada ao Ministério de Desenvolvimento Econômico e Cooperação da Alemanha, no contexto da iniciativa Economic Policy Forum – uma rede global de think tanks de economias emergentes.

Não bastasse a riqueza e diversidade dos conteúdos apresentados pelos participantes, pude viver a incrível experiência de estar em Pequim, uma cidade em permanente transformação, símbolo do apetite chinês pelo crescimento e expressão de uma cultura Oriental milenar que tenta construir uma nova identidade a partir da crescente aproximação com o Ocidente.

Apesar de tudo ter ocorrido muito rápido entre o convite para participar do evento e a viagem em si, tentei me preparar minimamente para a experiência. Afinal era um sonho antigo, inspirado pela ideia de que quem milita no campo da sustentabilidade precisa conhecer a China para, de fato, ampliar o entendimento sobre os desafios do desenvolvimento sustentável. Nessa preparação conversei com várias pessoas e li o quanto pude. Me ajudou muito a conversa com o Leeward Wang, colega antenadíssimo, descendente de chineses e que já visitou o país algumas vezes, além das leituras da edição 92 da Revista Página 22 sobre a China; dos livros Age of Ambition – chasing fortune, truth and faith in the new China, de Evan Osnos; e Mudança, do escritor chinês Mo Yan, Nobel de Literatura em 2012.

A agenda começou no dia 2 de novembro com uma visita à Grande Muralha da China. Não sei se a intenção dos organizadores foi essa, mas para mim que ainda estava sob os efeitos do jet lag, significou a imediata conexão com a realidade de um país que convive com tradições ancestrais e taxas de crescimento sem precedentes na era moderna: em 1978 o país tinha uma renda per capita de $ 200, enquanto em 2014 ela alcançou $ 7.500, num cenário em que se projeta, segundo o 13º Plano Quinquenal do Governo (2016-2020), um crescimento médio e constante do PIB de 6,5 a 7% ao ano até 2020.

Nos dias 3 e 4 tivemos vários painéis de diálogo relacionados a projetos de infraestrutura, com foco nos desafios e oportunidades no campo da sustentabilidade. Destes painéis participaram cerca de 30 profissionais de países como China, México, Turquia, Alemanha, Suíça, EUA, Índia, Bangladesh, África do Sul e Singapura. Eu era o único representante do Brasil e fiz parte do painel Designing Infrastructure Policy, que foi mediado por Mariana Silva, do International Institute for Sustainable Development, da Suíça, e também contou com Yüksel Görmez, do Banco Central da Turquia; Emmanuel Owusu-Sekyere, do Africa Institute of South Africa; Wajid Hasan Shah, do Bangladesh Institute for Development Studies; e Shubh Soni, do Observer Research Foundation da Índia. Minha apresentação abordou a experiência do GVces no âmbito do programa Desenvolvimento Local, com destaque para o projeto “Diretrizes para Políticas Públicas e Práticas Empresariais em Territórios para Instalação e Operação de Grandes Empreendimentos na Amazônia”, que estamos desenvolvendo em parceria com o IFC (International Finance Corporation).

Dos dois dias de diálogos vários conteúdos merecem destaque, entre eles a explicação do Diretor da GIZ, Oliver Auge, sobre o novo perfil de atuação da organização na China a partir do reconhecimento, pelo governo da Alemanha, de que a China não é mais um país em desenvolvimento. Com isso o papel da GIZ passou a ser de construção conjunta de soluções com a China, a exemplo das iniciativas de comércio de emissões de gases de efeito estufa (Emission Trading Systems) que estão em curso em diversas províncias chinesas. Quanto ao tom dos diálogos, esteve muito presente uma frase de Robert Lucas, prêmio Nobel de economia em 1995, citada no primeiro painel, segundo o qual “once you start thinking about growth, it’s hard to think about anything else.”

Na perspectiva dos chineses, certamente essa frase acima gerou múltiplas reações e ficou como pano de fundo para dois aspectos que me chamaram muito a atenção sobre a China contemporânea. O primeiro diz respeito ao reconhecimento e priorização dos desafios da sustentabilidade, entre eles a poluição atmosférica e seus efeitos, os quais já impactam fortemente os custos da saúde pública. O segundo refere-se à liderança cada vez maior que a China vem assumindo no cenário internacional, de modo deliberado e planejado, como investidor direto em países estrangeiros; e as inevitáveis consequências disto sob o ponto de vista da geopolítica.

Um exemplo contundente desta ação planejada no cenário internacional é a Belt and Road Initiative (BRI), lançada pelo presidente da China, Xi Jinping, em 2013. Trata-se de uma estratégia de desenvolvimento baseada em conectividade e cooperação entre países da Ásia, Europa e África com dois eixos principais: a via terrestre Silk Road Economic Belt; e a Maritime Silk Road, pelo oceano. A iniciativa conta com cinco grandes áreas de cooperação: política de comunicação, conectividade dos modais de transporte, redução de barreiras ao comércio, circulação de dinheiro e compreensão cultural.

Apesar de não explicitado pelos chineses com quem tive contato, todos porta vozes entusiasmados da BRI, há uma evidente preocupação da China em garantir os fluxos de exportação e importação do país, de modo a manter o ritmo de crescimento da sua economia.

Na tarde do segundo dia do workshop nos dedicamos a identificar oportunidades de atuação conjunta entre os participantes, que pudessem se desdobrar em publicações ou projetos reunindo mais de um think tank. Várias frentes de trabalho foram mapeadas, entre elas os instrumentos financeiros, a atuação dos bancos nacionais e multilaterais de desenvolvimento, as PPPs, a necessidade de standards para projetos de infraestrutura, entre outros. A mim coube a liderança de um grupo de trabalho composto por colegas dos EUA e México, que irá tratar dos standards.

Passados os dois dias de workshop, a programação previa visitas a duas organizações chinesas, o que se deu no dia 5 de novembro. A primeira visita foi na Beijing New Century Academy on Transnational Corporations (BNCATC), um think tank vinculado ao Ministério do Comércio da China, onde fomos recebidos pela Vice-Presidente, Dra. Jenny Jiangheng. Constituída a partir do trabalho de pesquisa da Dra. Jiangheng, a organização se dedica a mapear e avaliar os riscos éticos e socioambientais associados aos países onde as empresas chinesas têm ou planejam ter investimentos. Esses estudos são base para influenciar as tomadas de decisão junto ao governo e ao setor privado. Uma constatação decorrente da conversa foi a necessidade imperiosa de uma rede de organizações locais confiáveis, dos países analisados, que pudesse alimentar a BNCATC com informações e recomendações.

Na segunda visita fomos recebidos na Renmin University of China por uma equipe do Chongyang Institute for Financial Studies, um dos principais think tanks chineses com atuações relevantes nas áreas de macroeconomia, modernização da governança, finanças para internet, reforma bancária, microfinanças e green finance. Aqui um dos destaques foi a atuação do Instituto no aconselhamento ao governo chinês, incluindo o Banco Central da China, em temas de green finance. Entre os aconselhamentos em curso está a participação do Instituto na Inquiry into the Design of a Sustainable Financial System, promovida pelo Programa da ONU para Meio Ambiente (PNUMA).
Terminada a agenda do evento pude dedicar dois dias para visitar Pequim, numa semana que começou ensolarada na Grande Muralha e terminou com neve na sexta-feira, a qual chegou bem antes do previsto segundo os padrões climáticos da região. Esta neve antecipada levou a cidade a ativar mais cedo o aquecimento das residências e prédios comerciais, pressionando a já elevada queima de combustíveis fósseis. E tome poluição!

Mas é claro que nem neve, nem chuva, muito menos o frio, foram suficientes para aplacar meu ânimo em conhecer um pouco da cidade. E foi o que fiz num breve mas atento mergulho pelas largas avenidas, ruelas, monumentos, prédios modernos, estações de metrô (que metrô!), restaurantes e mercados de Pequim.

Desse breve e atento mergulho em Pequim, emergi com a certeza de que, assim como o Brasil, a China não é para principiantes. Conhecê-la leva tempo. E esse tempo para mim apenas começou!

Paulo D. Branco

 

Seis líderes inovadores participarão da cerimônia de premiação da 11ª edição do Prêmio Empreendedor Social e da 7ª do Prêmio Folha Empreendedor Social de Futuro, no dia 18/11, quarta-feira, a partir das 19 horas, no Masp (Museu de Arte de São Paulo), na capital paulista. A entrega dos prêmios será transmitida ao vivo pelo site da Folha e pelo UOL, com acessibilidade para deficientes auditivos e visuais.

O evento, restrito a convidados, terá como mestres de cerimônias a atriz e colunista da Folha Denise Fraga e o ator Antonio Fagundes e contará com o espetáculo musical da Caravana Tonteria, capitaneada pela atriz Letícia Sabatella. Representando a Fundação Schwab, realizadora do Prêmio Empreendedor Social no mundo inteiro, estará Marisol Argueta, também diretora do Fórum Econômico Mundial na América Latina.

“Nesta edição, selecionamos finalistas que se dedicam a enfrentar problemas sociais muito relevantes como o acesso à educação, à moradia, à melhoria da gestão pública e ao combate à violência contra a mulher”, afirma Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha. Em 11 anos, o concurso já identificou e destacou mais de 70 iniciativas.

“Temos premiado, em mais de uma década, empreendedores sociais inovadores que têm ajudado a transformar a realidade brasileira”, destaca Dávila. Só neste ano passaram pelo crivo de um rigoroso processo de avaliação 141 candidatos inscritos nas duas premiações.

Desde o último dia 27, os internautas de todo o país podem votar na sua iniciativa preferida por meio da categoria “Escolha do Leitor”, disponível no site folha.com/empreendedorsocial e no UOL. No voto popular, os seis empreendedores finalistas concorrem de igual para igual. Todos eles gravaram um vídeo de um minuto para convencer os internautas de que seus projetos merecem vencer. Depois de assistir a cada um, o leitor já pode votar do seu favorito.

As premiações principais do concurso são definidas por um júri especializado, que analisa todos os candidatos por inovação, sustentabilidade, impacto social, influência em políticas públicas, perfil, alcance e abrangência do projeto e seu efeito multiplicador. O corpo de jurados recebe diversos materiais sobre os empreendedores, elaborado por uma equipe de jornalistas da Folha de S. Paulo que visita os finalistas e realiza entrevistas com suas famílias, equipes de trabalho, parceiros, amigos, patrocinadores e beneficiários.

O Prêmio Empreendedor Social tem patrocínio da Coca-Cola e CNI e conta com a TAM como transportadora oficial. UOL, ESPM e Fundação Dom Cabral são parceiros estratégicos.

TRÊS LÍDERES CONCORREM AO PRÊMIO EMPREENDEDOR SOCIAL 2015 

Eliana Sousa Silva, 53, técnica em educação – fundadora da Redes da Maré, organização que constrói uma rede de desenvolvimento territorial do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, por meio de projetos de educação, arte e cultura, mobilização, segurança pública, desenvolvimento local, comunicação, combate à violência e geração de trabalho e renda. Ao longo dos oito anos, já impactou positivamente mais de 35 mil pessoas. Só em 2014 foram mais de 5 mil beneficiários. Site: www.redesdamare.org.br

Luís Eduardo Salvatore, 38, fotógrafo e advogado – fundador do IBS (Instituto Brasil Solidário), em São Paulo, organização que atua por uma educação de qualidade, modernização do ensino, desenvolvimento sustentável e aproximação entre comunidade escolar e poder público. Opera em municípios de até cem mil habitantes com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), sobretudo no Norte e Nordeste. Em uma década, beneficiou mais de 250 mil pessoas com: capacitação de educadores, atendimentos odontológicos e distribuição de kits escolares. Site: www.brasilsolidario.org.br

Sérgio Rodrigo Andrade, 38, cientista social – fundador da Agenda Pública, em São Paulo, negócio social que tem como propósito aprimorar a gestão pública e a governança democrática e incentivar a participação social. Desde sua criação, em 2009, já beneficiou mais de 10 mil pessoas com variadas consultorias em diferentes municípios brasileiros. Seu foco são localidades impactadas por grandes obras e mega empreendimentos, como a chegada de uma mineradora em regiões carentes de serviços e de estrutura. Site: www.agendapublica.org.br

TRÊS JOVENS ESTÃO NA FINAL DO PRÊMIO FOLHA EMPREENDEDOR SOCIAL DE FUTURO 2015

Fernando Assad, 32, administrador – fundador do Programa Vivenda, em São Paulo, negócio social que colabora para a melhoria da saúde e da qualidade de vida da população de baixa renda, por meio de reformas habitacionais de baixo custo e alto impacto. O Vivenda oferece um único pacote que inclui crédito, assistência técnica, materiais de construção e mão de obra qualificada. Já foram realizadas 134 reformas, beneficiando, diretamente, 603 pessoas da Favela Erundina. Site: www.programavivenda.com.br

Gustavo Fuga dos Reis, 22, estudante de economia – fundador da 4YOU2, em São Paulo, negócio social de ensino da língua inglesa em bairros vulneráveis da capital paulista. Em relação a outras escolas de idiomas, tem como principais diferenciais o valor acessível das mensalidades (R$ 76) e o fato de trabalhar com professores estrangeiros. Conta com unidades nos bairros do Capão Redondo, Campo Limpo, Jardim Ângela e Heliópolis. Em três anos, já beneficiou 4 mil alunos. Site: www.4y2.org

Panmela Silva e Castro, 34, artista – fundadora da Rede Nami, no Rio de Janeiro, organização que tem como propósito multiplicar o empoderamento das mulheres sobre seus direitos por meio das artes urbanas, principalmente o grafite. Propõe a superação das desigualdades nos planos pessoal, econômico, político e social. Desde sua criação, em 2012, a rede beneficiou 5 mil pessoas em oficinas e workshops. Só em 2012 foram pintados mais de 4 mil m2 de murais com mensagens sobre a violência contra a mulher. Site: www.redenami.com

A partir desta terça-feira (27), os internautas de todo o país podem votar na sua iniciativa preferida por meio da categoria “Escolha do Leitor”, disponível no site folha.com/empreendedorsocial e no UOL. No voto popular, os seis empreendedores finalistas concorrem de igual para igual. Todos eles gravaram um vídeo de um minuto para convencer os internautas de que seus projetos merecem vencer. Depois de assistir a cada um, o leitor já pode votar do seu favorito.
As premiações principais do concurso são definidas por um júri especializado, que analisa todos os candidatos por inovação, sustentabilidade, impacto social, influência em políticas públicas, perfil, alcance e abrangência do projeto e seu efeito multiplicador. O corpo de jurados recebe diversos materiais sobre os empreendedores, elaborado por uma equipe de jornalistas da Folha de S. Paulo que visita os finalistas e realiza entrevistas com suas famílias, equipes de trabalho, parceiros, amigos, patrocinadores e beneficiários.
O Prêmio Empreendedor Social tem patrocínio da Coca-Cola e CNI e conta com a TAM como transportadora oficial. UOL, ESPM e Fundação Dom Cabral são parceiros estratégicos.

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