Maclaurin Building, um dos edifícios do Massachusetts Institute of Technology (MIT), na cidade norte-americana de Boston (foto: InSapphoWeTrust/Flickr/Creative Common)

O que um grupo de 60 pessoas de todas as partes do mundo está fazendo no MIT-Sloan (Massachussets Institute of Technology, em Cambrige, EUA) durante 5 dias? Participando de um Prototype Camp, promovido por Otto Scharmer, autor da Teoria U e professor do MIT, e sua equipe do Presencing Institute!

No inicio desse ano, Otto e sua equipe lançaram um projeto chamado ULab, um curso online, transmitido ao vivo e sem custos para quem se interessasse, por meio da plataforma EDx, sobre sua mundialmente famosa Teoria U. O resultado não poderia ter sido outro: mais de 21 mil pessoas do mundo todo conectadas na versão 1.0 do curso e, agora, no segundo semestre, 40 mil participando da versão 2.0 do Lab. Além disso, Otto selecionou 32 protótipos que participaram do ULab 1.0 para virem ao MIT para um Prototype Camp.

O objetivo do Camp é conectar protótipos do mundo todo e, através de dinâmicas e metodologias da Teoria U, fazer com que esses protótipos avancem e que uma rede internacional se forme.

O GVces está no MIT apresentando o FIS – Formação Integrada para a Sustentabilidade – como seu protótipo! Nosso desafio é pensar como a metodologia que criamos no FIS poderia ser pensada para toda a FGV-EAESP. Mais ainda, como adaptar a metodologia para o mundo dos negócios!

Neste 2º semestre de 2015, a disciplina "Formação Integrada para Sustentabilidade" trabalha com sua 11ª turma de graduandos na FGV-SP (foto: Bruno Toledo/GVces)

Os latino-americanos são a grande maioria entre os participantes. Os brasileiros apresentaram protótipos dos mais diversos: painel solar híbrido, que gera energia e aquece água a baixo custo, um supermercado do futuro, o projeto Novos Urbanos também se apresentou como protótipo, entre outros.

Em relação à educação, é interessante destacar que há muitos protótipos chineses! Projetos que querem melhorar a educação infantil, conectar startups a universidades e empresas, oferecer educação para sustentabilidade a executivos de forma colaborativa, entre muitos outros!

Todos esses protótipos foram apresentados por meio de uma dinâmica que foi chamada de marketplace: cada projeto teve um tempo para preparar um pôster com alguns tópicos predefinidos pela equipe do MIT e então 4 rodadas se seguiram de modo que todos pudessem apresentar pelo menos 3 vezes o seu projeto. Os ouvintes então podiam contribuir com perguntas, insights ou simplesmente desenhar um coração elogiando a iniciativa!

Participar dessa rede nos colocou em contatos com protótipos do mundo todo, com diferentes temáticas, escalas, mas todos com a mesma intenção: contribuir para a cocriação de uma sociedade 4.0, como diz Otto.

 Fernanda Carreira

 

Pôr-do-sol nas dunas em Abu Dhabi (Creative Commons)

No livro “Não Verás País Nenhum”, publicado em 1981, o escritor Ignácio de Loyola Brandão retrata um futuro quase apocalíptico para o Brasil. Tomado pela catástrofe ambiental, o país não tem mais sua esplendorosa Floresta Amazônica, transformada em deserto; as metrópoles sofrem com a falta de árvores e com o calor intenso; não há comida, água ou moradia para todos, sendo que os grupos mais inferiores e pobres sobrevivem do lixo acumulado nos arredores dessas cidades.

Um aspecto interessante desse livro – considerando que ele foi escrito há mais de 30 anos, quando mudanças climáticas e aquecimento global ainda eram temas insipientes na agenda global – é a forma como Ignácio traz as cidades sofrendo com o calor insuportável: na São Paulo “futurista” (relevando o fato de que a história se passa em 2003, que já faz parte do passado para nós em 2015), as pessoas não conseguiriam andar na rua sem algum tipo de proteção contra o sol, como sombrinhas e marquises. É simplesmente insuportável viver ao ar livre, sem árvores nem água para aliviar o calor inclemente que torra o asfalto na selva de pedra.

Isso me veio à mente quando li uma matéria recente no Guardian sobre os efeitos das mudanças climáticas em uma das regiões mais inóspitas e difíceis de estabelecer assentamentos humanos: o Golfo Pérsico. De acordo com estudo conduzido por dois pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), essa região deverá sofrer com o calor intenso nas próximas décadas, superando os limites que permitem a vida humana.

O estudo aponta que ondas de calor extremo, que já ocorrem com mais frequência nos últimos anos, deverão se intensificar, ao ponto que, em 2070, os dias mais quentes de hoje podem se tornar o dia-a-dia do futuro. Muitas localidades do Golfo Pérsico, como Abu Dhabi, Dubai e Doha, além da costa iraniana, poderão ter o clima similar ao clima atual do deserto de Afar, no lado africano do Mar Vermelho, um dos lugares mais quentes do mundo, onde não existe assentamento humano permanente.

Ironicamente, os países do Golfo Pérsico, em particular a Arábia Saudita, entre os grandes exportadores mundiais de petróleo, frequentemente atuam para bloquear as negociações internacionais sobre mudanças climáticas. Alguns deles, como os sauditas e o Catar, sequer entregaram suas contribuições pretendidas para redução de emissões para o novo acordo climático internacional, que será finalizado em dezembro na cidade de Paris.

A Caaba e a Mesquita de al-Haram durante o começo do Hajj, cerimônia fundamental do islamismo em Meca (foto: Al Jazeera English/Flickr/Creative Commons)

No livro de Loyola Brandão, o Brasil futurista seria governado por uma estrutura ditatorial chamada de “Esquema”, que impõe regras bastante rígidas à vida dos brasileiros no meio da catástrofe ambiental. Coincidentemente, muitos desses países do Golfo são ditaduras ou possuem regimes políticos claramente autoritários. São também países com desigualdades sociais gigantescas, ampliadas cada vez mais pelos rendimentos do petróleo direcionados para pouquíssimas pessoas. Obviamente, quem sofrerá mais com os efeitos desse superaquecimento serão as comunidades mais pobres, que já vivem em situação delicada. Mesmo cerimônias religiosas importantes para o islamismo, como a peregrinação à Meca, seriam praticamente inviabilizadas, já que o calor intenso dificultaria qualquer tipo de movimento à luz do sol.

O caminho para evitar esse cenário apocalíptico continua sendo o mesmo: reduzir as emissões de gases do efeito estufa (GEE) em todo o mundo, de forma efetiva e contínua, nas próximas décadas, de maneira a conter o aumento da temperatura média global em até 2ºC neste século.

Para tanto, o desafio dos países pérsicos não é pequeno: esse caminho de ação climática significa reduzir de forma ambiciosa o uso de combustíveis fósseis, o que atinge em cheio as economias nacionais da região, altamente dependentes dos rendimentos do petróleo local. Para esses países, a transição para uma economia de baixo carbono é uma revolução absoluta de suas economias. O medo disso tudo explica em grande parte a reticência desses países em torno do debate sobre clima, mas talvez eles venham a confrontar um medo muito maior, que os forçará a repensar a necessidade dessa transição: a inviabilidade da vida humana futura em seus territórios.

Bruno Toledo

 

Primeira presidente mulher da Irlanda, entre 1990 e 1997, e chefe do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU até 2002, Mary Robinson reconhece nesta palestra do TED que chegou tarde para a questão das mudanças climáticas.

O “estalo”, diz ela, aconteceu quando começou a trabalhar em países africanos e assistir na prática a seus efeitos sobre os habitantes daquele continente. A experiência deixou claro para Mary Robinson a desigualdade que permeia o desafio climático no mundo.

Enquanto os países ricos, principais causadores da crise, têm plenas condições para resistir aos piores impactos das mudanças climáticas, os países pobres são as principais vítimas e não possuem recursos nem resiliência para suportar as consequências de desastres climáticos. Essa desigualdade é capital para entender as mudanças climáticas como uma grande ameaça aos direitos humanos em todo o mundo.

Assista abaixo à apresentação de Mary Robinson no TED (em inglês).

Fabio Storino e Bruno Toledo

 

Se o mundo deseja evitar danos irreversíveis ao planeta, todos os governos precisam concordar com um plano claro, justo e ambicioso nas negociações climáticas na Conferência de Paris, a COP 21. Esta é a conclusão da Assembleia Parlamentar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em resolução aprovada na segunda passada, que soma sua voz a de outros órgãos e atores relevantes no cenário internacional em prol da definição de um novo regime climático internacional com metas de redução efetiva para todos os países.

Na resolução, representantes parlamentares dos países da OTAN reconheceram as mudanças climáticas como uma ameaça significativa à segurança internacional, algo que já está sendo sentido hoje. Os riscos associados às mudanças do clima representam uma “ameaça multiplicadora”, na medida em que temperaturas crescentes e alterações nos padrões de precipitação tendem a acentuar competição por estoques de comida e água, a modificar padrões de migração e a criar novos perigos à saúde humana. Além disso, o perigo climático também pode exacerbar conflitos violentos, como observado na Síria a partir de 2011.

O documento também conclama a seus estados-membros que promovam mais discussão e reflexão sobre o tema, examinando como isso poderá afetar sua própria segurança.

Nos últimos anos, forças militares de países como Estados Unidos e Reino Unido vêm apontando as mudanças climáticas como um perigo grave à segurança global e à prosperidade econômica de todos os países. O que destaca o anúncio recente da OTAN é o apelo por um acordo claro, justo e ambicioso em Paris no final deste ano: este é um chamado importante para que os governos do mundo assumam compromissos efetivos na COP 21, que consigam manter o aumento da temperatura global entre 1,5ºC e 2ºC acima dos níveis pré-industriais até 2100. Na semana que vem, os negociadores da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC, sigla em inglês) se reunirão em Bonn (Alemanha) pela última vez antes da COP 21 para finalizar a proposta final de acordo internacional sobre clima, para ser concluído e assinado em Paris.

Bruno Toledo

 

No final de novembro, negociadores de todo o mundo se encontrarão em Paris para finalizar um novo acordo climático internacional, que deverá trazer compromissos de redução de emissões por parte de todos os países. Além do desafio climático, os governos também se preparam para começar a tirar do papel os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), oficializados pela ONU no mês passado.

Para acadêmicos em todo o mundo, o sucesso desses esforços depende diretamente de um engajamento efetivo dos governos em prol de ações firmes contra as mudanças climáticas e a favor do desenvolvimento sustentável. Por isso, mais de 700 professores e pesquisadores assinaram uma carta aberta no final de setembro, pedindo aos governos do mundo uma participação construtiva na Conferência de Paris, que permita a negociação de um acordo que possa ser efetivo na redução das emissões de gases de efeito estufa. A carta está aberta para assinatura de outros professores, pesquisadores e mestrandos/doutorandos.

A carta serviu como um pontapé inicial para a mobilização em torno da Semana Global das Mudanças Climáticas, que acontecerá entre 19 e 25 de outubro, com atividades de conscientização e engajamento de estudantes em universidades de todo o mundo. A Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP) também fará parte desta mobilização, com a realização de palestras, exposições fotográficas, exibição de filmes e rodas de conversa sobre mudanças climáticas e a importância da Conferência de Paris.

Gisela Chulman

 

A Prefeitura de São Paulo abriu consulta pública sobre um plano de ação para avançar na inclusão da alimentação orgânica nas escolas da rede municipal, que vai até o dia 09 de outubro.

A partir da lei municipal 16140/2015, a proposta da prefeitura paulistana é tornar obrigatória a inclusão de produtos orgânicos ou de base agroecológica na alimentação escolar, além de priorizar a aquisição desses produtos e permitir que o município pague até 30% a mais em relação ao convencional similar. A lei prevê ainda a criação de um plano de ação para sistematizar como será a inclusão desse tipo de cardápio nas escolas públicas da cidade.

Mais informações aqui.

Aletea Madacki

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