Em 2006, o Peabiru foi chamado pela Agropalma, empresa fornecedora de óleo de palma para o setor de alimentos e cosméticos, para colaborar na compreensão do entorno do território onde a empresa atua, levando em conta os desafios para a estruturação de políticas de responsabilidade socioambiental corporativa.

A Agropalma possui relações comerciais com 150 agricultores da região, que atuam como fornecedores de cachos de palma (dendê) por meio do Programa de Agricultura Familiar. Apesar da Agropalma estar presente nessa região do Pará próxima ao município de Tailândia há quase uma década, faltava uma melhor compreensão do efetivo impacto econômico da inserção do grupo de agricultores na cadeia de valor do dendê, uma avaliação do impacto na segurança alimentar a partir do momento que as famílias se dedicam à dendeicultura, além da inserção de jovens e mulheres nos processos decisórios da agricultura familiar.

Após de realizar um diagnóstico preliminar, o Instituto Peabiru propôs à Agropalma uma ação com duração prevista de 5 anos, e recomendou dez ações à empresa, das quais duas foram priorizadas: a Agenda 21 para a Vila dos Palmares e Indicadores de sustentabilidade para a agricultura familiar.

Tendo como estratégia o envolvimento do grupo social local em todas as etapas de pesquisa, reflexão e tomada de decisão, e também a crença de que o monitoramento dos impactos da relação comercial no cotidiano das famílias pode transformar as relações humanas e a realidade dos grupos envolvidos, o Peabiru usou uma metodologia que se divide em quatro etapas para conceber o Projeto Indicadores de Sustentabilidade.

A primeira etapa foi uma pesquisa socioeconômica que deu origem ao Diagnóstico Rural Participativo (DRP). Já na segunda etapa, os resultados do DRP foram socializados com os atores locais para a elaboração dos indicadores de sustentabilidade.

A terceira etapa foi a formação de um grupo de jovens e mulheres para capacitação como pesquisadores socioambientais capazes de assumirem papéis relevantes nas associações e organizações sociais. De acordo com o Instituto Peabiru, o projeto visou fortalecer o reconhecimento das questões de gênero num setor econômico com forte desequilíbrio nesta área, e fortalecer a capacidade de monitoramento das políticas públicas; daí a pedra angular se constituir na busca de maior participação de jovens filhos e mulheres de agricultores como os principais protagonistas, os constituindo como pesquisadores socioambientais.

A quarta etapa juntou o grupo para analisar os indicadores de sustentabilidade e, a partir da reflexão gerada sobre a realidade local, traçaram as estratégias para promover ações de desenvolvimento.

A versão definitiva do Caderno de Indicadores de Sustentabilidade foi publicada em 2011. Seus 31 indicadores foram aplicados nos anos seguintes como instrumento de pesquisa da realidade. A cada medição, foram realizadas oficinas de reflexão acerca de temas diversos.

Milene Fukuda

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