O 1º turno das eleições estaduais e nacionais servirá também como uma oportunidade para a sociedade fazer aquilo que os candidatos em geral menos gostam de fazer: debater.

A Virada Política aproveita o momento das eleições para falar da política que vai além das urnas e que pode ser feita de várias formas por cada um de nós no nosso dia a dia.

Este será um evento aberto, o que significa que você pode tanto inscrever uma atividade dentro da programação que já está planejada quanto criar algo completamente novo. Dentre as atividades previstas, a Virada promoverá uma Feira de Ativismo Político, um espaço para as pessoas mostrarem seus projetos e para inspirar outras pessoas no desbravamento de novos caminhos políticos. Outra atividade é a Urna Limpa, iniciativa que transforma o lixo que é gerado pelos candidatos e seus materiais de campanha em arte ou em renda para quem precisa, além de apontar quais são os candidatos que mais contribuem para a sujeira em nossas cidades durante as eleições.

A Virada Política acontece no Largo da Batata, em Pinheiros (São Paulo/SP), entre os dias 04 e 05 de outubro. Mas você pode promover atividades da Virada em sua cidade. Saiba mais no site.

Leandro Milani

 

“Estratégias de investimento em mercados emergentes: novos caminhos e políticas para crescimento verde”. Esse foi o foco do evento promovido pelo Economy Policy Forum (EPF) e pela Emerging Market Multinationals Network for Sustainability (EMM) em Berlim, na Alemanha, em setembro.

Realizado com apoio do Ministério de Desenvolvimento e Cooperação Econômica da Alemanha e pelo Gesellschaft für Internationale Zusammernarbeit (GIZ), esse encontro mostrou casos de sucesso que aliaram práticas mais sustentáveis e lucro em países emergentes. No evento, fazendo parte da comitiva da GV Projetos, apresentei junto com a Márcia Nejaim (Apex-Brasil) nosso projeto Inovação e Sustentabilidade nas Cadeias Globais de Valor (ICV Global).

Pude perceber a relevância dos países emergentes para a agenda global de sustentabilidade. Não só pela dimensão dos desafios, mas em especial pelo potencial de inovação em políticas públicas e modelos de negócios, estes países e suas respectivas empresas ocupam cada vez mais destaque na busca por novos modelos de desenvolvimento.

Isto, sem dúvida, coloca o Brasil em evidência como um ator chave no cenário internacional.

Clique aqui para acessar as apresentações feitas no evento.

Paulo Branco

 

Casos de Inovação em Desenvolvimento Local: Comunidade Integrada

A implantação de um grande empreendimento vem acompanhada de expectativas no que diz respeito aos impactos gerados na área de atuação. A dinâmica política, social e econômica se transforma na medida em que se injetam novos recursos na economia local e o entorno no território do empreendimento também é afetado.

Pensando nisso, quando a Bunge Brasil inaugurou em 2011 a Usina Pedro Afonso, no interior do estado de Tocantins, a sua primeira planta greenfield no segmento de açúcar e bioenergia, a Fundação Bunge iniciava o Programa Comunidade Integrada nos municípios de Pedro Afonso, Bom Jesus do Tocantins e Tupirama.

Tendo como objetivo ampliar as potencialidades socioeconômicas e minimizar as fragilidades sociais das regiões influenciadas pela instalação do empreendimento, o Programa Comunidade Integrada foi um dos casos selecionados pela Chamada de Casos de Inovação em Desenvolvimento Local. Um dos fatores de destaque da iniciativa é a sua abordagem territorial, que possibilita discussões conjuntas entre atores dos três municípios do território de influência da Usina Pedro Afonso para a realização de ações convergentes de desenvolvimento local.

O Programa foi dividido em etapas: na primeira foi realizado um diagnóstico integrado da socioeconomia, no qual se identificou as potencialidades e desafios do território, seguido de um Plano de Gestão Integrada (PGI). Este reuniu as ações prioritárias a serem implementadas nas frentes de fortalecimento da gestão pública, apoio ao desenvolvimento humano e econômico, e relacionamento com stakeholders.

O processo de criação do PGI se deu por meio de reuniões com o Grupo de Trabalho Consorciado, composto por atores locais tais como representantes do poder executivo e legislativo das três cidades, representantes do poder judiciário, organizações não governamentais e representantes da Bunge e da Fundação Bunge. Nos encontros, todas as ações previstas no Plano foram apresentadas e discutidas antes de serem aprovadas.

A segunda etapa foi a execução do PGI e a mensuração de indicadores por meio de uma matriz de monitoramento e avaliação das ações previstas no Plano. “Não chegamos com uma política assistencialista, queríamos focar em desenvolvimento e trabalho participativo. Sempre foi uma construção diária e sem se esquecer das metas para bater”, disse Claudia Calais, Diretora Executiva da Fundação Bunge, durante apresentação feita na quarta oficina da iniciativa do GVces “Inovação em Desenvolvimento Local”.

O Grupo de Trabalho Consorciado possibilitou o surgimento do Consórcio Intermunicipal, que direcionou seu trabalho na discussão de gestão local de resíduos sólidos que resultará na implantação de aterro sanitário.

Também durante a apresentação feita na oficina com empresas membro da iniciativa do GVces, alguns desafios compartilhados pela Fundação Bunge foram: o estabelecimento de relações de confiança entre atores locais, definição das responsabilidades dos envolvidos no Programa, alinhamento de expectativas e entendimento dos tempos de cada parceiro e criação e gestão de canais de diálogo social.

Milene Fukuda

 

A “Precificação de carbono e o Acordo de Clima 2015″ foi o tema do Simpósio especial organizado pela International Emissions Trading Association (IETA) e a Harvard Project on Climate Agreements. O evento ocorreu em Nova York (23), um dia antes da Cúpula da ONU que reunirá líderes mundiais visando construir um momento político para adoção de um acordo global na Conferência da ONU sobre clima de Paris, em 2015.

Políticos e líderes executivos de empresas apoiaram e ressaltaram que o Acordo de Paris deve incluir um papel central para a precificação de carbono. A discussão focou em previsões específicas que o Acordo de Paris necessita para apoiar a ligação entre as diferentes iniciativas de comércios de emissões já existentes.

Entre os palestrantes estavam representantes dos governos do Reino Unido, Suécia, Califórnia, Shenzhen (China), Shell, Alstom, Statoil e Banco Mundial, além de participantes do Simpósio de vinte e um países.

O evento contou com a apresentação de uma pesquisa em desenvolvimento pela Harvard Project on Climate Agreements sobre a forma como o Acordo de Paris pode ligar sistemas de precificação de carbono já operação e futuros sistemas também. O produto final da pesquisa será apresentado na Conferência da ONU sobre Clima de Lima, Peru, em dezembro.

Guarany Osório

 

A marcha pelo clima levou uma multidão às ruas de Nova York juntando pais, filhos, jovens, celebridades e autoridades para discutir mudanças climáticas dois dias antes da Cúpula de Clima que ocorre no dia 23/9, na Sede da ONU.

Em Nova York para acompanhar eventos ligados à Cúpula, tive o privilégio de testemunhar a marcha, que foi replicada em várias partes do mundo e tinha uma mensagem clara para os líderes de todo o planeta: #NowNotTomorrow (agora, não amanhã). A hashtag que se espalhou nas redes sociais, entre tantas outras, traz dois alertas simultâneos: já estamos vivendo as mudanças climáticas e é preciso ação imediata em escala global para evitarmos impactos ainda piores na sociedade, na economia e no meio ambiente.

Abaixo, algumas imagens que capturei durante a marcha, que revelam um novo momento de mobilização coletiva na história recente das negociações internacionais, há pouco mais de dois meses da COP-20, a Conferência do Clima a ser realizada no Peru.

Nessa última imagem, enquanto a marcha seguia pelas ruas, ao lado no Central Park, um grupo fazia a Vigília da Terra.

Guarany Osório

 

A Floresta com Araucárias é um dos ecossistemas mais ameaçados do Brasil com apenas 2% da cobertura original ainda restante. A principal causa do desmatamento foi o ciclo madeireiro da segunda metade do século XX.

Além da perda da biodiversidade, a atividade deixou a região com sérios problemas: os investidores se deslocaram para outros locais, a exploração extrativa dos poucos remanescentes florestais permaneceu para muitos como única alternativa de sobrevivência das famílias rurais, ao mesmo tempo em que o esgotamento desses recursos põe em risco a própria sobrevivência dessas famílias.

Araucária + surgiu em 2013 a partir desse contexto. Uma parceria entre a Fundação Grupo Boticário e a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (CERTI) e tem como objetivo a recuperação e conservação da chamada Floresta Ombrófila Mista (FOM), ou Floresta com Araucárias, nos municípios da Serra Caterinense.

O projeto busca atingir seu objetivo alavancando novos produtos e mercados por meio de estimulo à produção sustentável por parte do produtor rural. O pinhão e a erva-mate foram matérias primas foco do projeto. O primeiro é semente da araucária e a segunda é uma árvore nativa da Floresta com Araucárias.

A iniciativa articula, organiza os produtores rurais ao mesmo tempo em que interage com empresas privadas que buscam matérias-primas sustentáveis e estão dispostas a pagar um preço diferenciado por elas, gerando assim um incremento de renda e evitando o êxodo rural de pequenos produtores.

Araucária + foi um dos casos selecionados pela iniciativa Inovação em Desenvolvimento Local, do GVces, por oferecer uma solução sistêmica na medida em que envolve os atores locais, incluindo não apenas os que fazem parte da cadeia de valor, mas também governo, instituições de pesquisa, investidores, ONG’s, entre outros. O princípio do valor compartilhado por meio dessa estruturação gera benefícios ambientais, econômicos e sociais.

A iniciativa encontra-se ainda em fase de implantação. Durante a apresentação feita na quarta oficina de Inovação em Desenvolvimento Local, Marcos Da-Ré, da Fundação Certi, comentou que os principais desafios até o momento eram decorrentes da dificuldade na organização da base de produtores rurais, já que o projeto envolve mudança nos hábitos produtivos e culturais que existem na região há gerações. A falta de recursos financeiros dos produtores para implementar as mudanças e atingir uma escala de considerável ganho socioambiental foram outros desafios apontados.

Milene Fukuda

 

 

O projeto Inovação em Desenvolvimento Local é uma parceria entre duas das Iniciativas Empresariais organizadas pelo GVces – Desenvolvimento Local e Grandes Empreendimentos (IDLocal) e Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor (ISCV) -, com apoio do Citi e patrocínio da Citi Foundation.

O objetivo principal do projeto conjunto é fomentar a inovação na atuação e nos relacionamentos de grandes empresas nos territórios onde elas estão inseridas.

Parte das atividades de Inovação em Desenvolvimento Local foi uma chamada de casos que ilustram na prática o que está acontecendo de inovador no campo de desenvolvimento local em territórios impactados por grandes empresas e suas cadeias de valor. Foram 44 casos recebidos, 13 pré-selecionados para visitas e 10 escolhidos para compartilharem suas experiências numa oficina que aconteceu dia 3 de setembro, além de integrarem a publicação que retratará o trabalho desenvolvido pela equipe do GVces e pelas empresas membro da iniciativa.

Toda semana vamos publicar aqui um dos casos selecionados para dar um gostinho do vem aí na publicação que estará pronta no final do ano. Traremos também as colheitas gráficas da oficina em que cada caso foi apresentado, feitas pela Atrium.

Conheça, comente, compartilhe!

 Milene Fukuda

 

Faltando menos de duas semanas para a tão esperada Cúpula do Clima, convocada por Ban Ki-Moon para acelerar os esforços de negociação do novo acordo climático global, ainda persistem dúvidas quanto ao que podemos esperar de resultados desse encontro.

O secretário-geral da ONU tem vocalizado a demanda da sociedade civil por mais ações efetivas no enfrentamento das mudanças climáticas. Nesse sentido, a principal expectativa para a Cúpula tem sido o anúncio de medidas mais ambiciosas na redução das emissões de gases de efeito estufa por parte dos líderes que participarão do encontro em Nova York. A pressão da ONU e da sociedade civil mobilizada em Nova York e em todo o mundo durante a Cúpula é para que os chefes de Estado façam esse anúncio, mas isso depende de um passo anterior: quem irá participar desse encontro. Por exemplo, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, ainda não confirmou sua presença na Cúpula. Sem presenças relevantes, os resultados da Cúpula podem ser inócuos, independente do tipo de anúncio feito.

Além de debater ações governamentais, a Cúpula também destacará iniciativas realizadas por empresas e sociedade civil, como uma forma de mostrar que a luta contra a mudança do clima não depende apenas da ação dos Estados, mas também de seus cidadãos e do setor privado. Porém, a participação de representantes desses setores será limitada durante a Cúpula, tendo em vista as restrições de espaço, agenda e o perfil dos dignatários presentes. Assim, a voz não-governamental deve soar mais forte fora do que dentro do plenário da Assembleia Geral, com a realização da marcha em Manhattan e de mais de 1.500 eventos ao redor do mundo.

No entanto, mesmo considerando os esforços de Ban Ki-Moon e a pressão da sociedade civil, o desafio da ambição deve persistir nas negociações de compromissos e metas para depois de 2020. Mesmo com anúncios recentes de medidas importantes por Estados Unidos e China, muitos governos ainda ressaltam a questão do custo da ação efetiva como um obstáculo para aumentar a ambição dos futuros compromissos no curto e médio prazos. Contrastando com essa visão, cientistas e sociedade civil apontarão para a necessidade de se agir agora para que possamos conter o aquecimento médio do planeta dentro do limite de 2ºC ainda neste século, necessidade reafirmada pelo mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

Bruno Toledo (post originalmente publicado no Blog do Observatório do Clima)

 

O Greenpeace Brasil e o Fluxo – redação independente de jornalismo – promovem neste mês uma série de debates sobre meio ambiente, política e eleições.

A intenção dessa série é dialogar sobre como Energia, Mobilidade Urbana, Agronegócio e Clima, entre outros temas da sustentabilidade, devem ser abordados nos programas de governo dos candidatos à Presidência da República.

O primeiro programa vai ao ar nesta terça 09/9, a partir das 21h30, com Ricardo Abramovay (USP) e Ricardo Sennes (PUC-SP) debatendo como a política aborda a questão do meio ambiente muitas vezes de maneira indireta, como um fator externo. O debate desta terça também terá a participação de Adriana Ramos (Instituto Socioambiental/ISA) e coluna de Idelber Avelar (Revista Fórum), e mediação de Bruno Torturra (Fluxo) e Sérgio Leitão (Greenpeace).

Os encontros acontecerão todas as terça-feiras de setembro, às 21h30, no site http://www.fluxo.net/aovivo

Ricardo Barretto

 

“Um app para quem gosta de moda – mas quer consumir de maneira consciente”. Assim é anunciado o aplicativo que responde ao contexto recente de denúncias a marcas de roupa que produzem com impactos socioambientais, como o trabalho análogo ao escravo.

“A proposta é trazer ao público, de forma ágil e acessível, as medidas que as marcas – as principais varejistas de roupas do país e empresas que já foram flagradas pelos fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) – vêm tomando para evitar que as peças vendidas em suas lojas sejam produzidas por mão de obra escrava.

Todas as companhias foram convidadas a responder um questionário e, com base nas respostas, receberam uma pontuação que as classifica em três categorias de cores – verde, amarelo e vermelho –, de acordo com sua conduta. Aquelas que não responderam foram automaticamente incluídas na categoria vermelha.”

São quatro os indicadores:

1. Políticas: compromissos assumidos pelas empresas para combater o trabalho escravo em sua cadeia de fornecimento.
2. Monitoramento: medidas adotadas para fiscalizar os fornecedores de roupa.
3. Transparência: ações tomadas para comunicar aos clientes o que tem sido feito para monitorar fornecedores e combater o trabalho escravo.
4. Histórico: resumo do envolvimento das empresas em casos de trabalho escravo, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O app é um serviço gratuito ao consumidor, desenvolvido a partir da apuração da equipe de jornalismo da Repórter Brasil.

Fernanda Carreira

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