Em mais uma aplicação do jogo Celsius – o desafio dos 2 graus* , com grupo de 20 alunos intercambistas do Programa de Mestrado Profissional da FGV, pudemos observar fatos bastante curiosos a respeito do comportamento e atitudes dos gestores frente ao desafio das mudanças climáticas. Três aspectos nos chamaram a atenção em especial. O primeiro diz respeito à diferença de atitude e posicionamento entre os gêneros: as mulheres se mostraram mais colaborativas e preocupadas com o futuro do planeta do que os homens. São elas que, no jogo, pressionaram os homens a serem mais altruístas, a pensarem no bem coletivo e a dialogarem mais entre si, focando na cooperação.

O segundo aspecto diz respeito a uma possível comparação com jogadores brasileiros que participaram de rodadas do Celsius no passado. O grupo de europeus foi mais consciente no que diz respeito ao seu papel como cidadão e gestor de empresas na articulação e influência de políticas públicas. Suas jogadas mostraram que entendem o papel crucial do governo na mudança para uma economia de baixo carbono e que têm o direito, o poder e a obrigação de participar da discussão política.

Por fim, o terceiro e curioso aspecto foi a tomada de consciência, ali, durante o jogo, de um dos jogadores: a constatação de que o sistema educacional que temos hoje em vigor, principalmente os das escolas de negócio, ainda operam na mentalidade do business as usual, reproduzindo o conhecimento e a formação de futuros gestores numa lógica que simplesmente não dá conta de atender os desafios da realidade atual. Por exemplo, os dilemas entre as decisões empresariais e as mudanças climáticas.

Sobre os resultados dessa aplicação: das quatro mesas, apenas uma foi capaz de manter o aumento da temperatura do planeta abaixo dos 2oC. Todas as outras não conseguiram reduzir as emissões e estouraram o termômetro! Isso nos mostra como ainda temos um longo caminho a percorrer…       

Fernanda Carreira, com a colaboração de Mariana Nicolletti
Foto: Beatriz Kiss

* “Celsius – o desafio dos 2 graus” é um jogo desenvolvido pelo GVces em parceria com a Fabiano Onça Games com o objetivo de promover a reflexão a respeito dos papéis das empresas, cidadãos e governo na transição para a economia de baixo carbono e da importância da articulação entre esses atores. Saiba mais nesse vídeo e nesse post.

 

Combatentes somalis em Mogadíscio em meados de 1993 (Wikipédia)

Esta é uma história antiga, que mostra como a falta de ética e o desrespeito legal e humano de empresas e governos pode contribuir para países inteiros entrarem em colapso. Ouvi esta história pela primeira vez há algum tempo, conversando com uma amiga sobre minha pesquisa de mestrado, que abordava crises humanitárias nos anos 1990 e 2000, e uma dessas crises era a da Somália.

Em linhas gerais, a crise somali pode ser entendida como um misto de conflitos étnicos, fronteiras artificiais e luta por recursos naturais e por território, que reverbera num caos político e institucional. Desde o começo dos anos 1990 não existe um governo central digno desse nome: o país acabou se fragmentando de acordo com diversos clãs e etnias que lutam entre si pelo controle do governo nacional e, consequentemente, pelos seus recursos naturais.

Nos anos 1990, uma grave onda de fome, resultado tanto do conflito quanto de uma estiagem que afetou as lavouras do país, atingiu a Somália, colocando-a em destaque na mídia internacional e levando as Nações Unidas a intervirem para aplacar a crise humanitária e para acabar com o conflito.

Os Estados Unidos lideraram a operação e acabaram protagonizando combates sangrentos com as forças de um dos principais warlords da Somália, Mohammed Farrah Aidid. Um desses episódios foi a queda de um helicóptero Black Hawk em Mogadíscio, capital do país, durante uma operação para captura de lideranças do grupo de Aidid. Os soldados norte-americanos que estavam na aeronave acabaram  cercados por combatentes de Aidid e o resultado foi dramático: imagens de soldados dos EUA sendo assassinados e humilhados nas ruas de Mogadíscio percorreram o mundo, forçando o governo Clinton a abandonar as operações na Somália. Com a saída dos EUA da missão da ONU, o país caiu novamente no esquecimento político internacional e continuou sendo arrasado pela guerra civil – um conflito que persiste até hoje.

Já na época da intervenção internacional se questionava como os clãs e seus warlords conseguiam se armar tão fortemente, já que a economia somali era quase inoperante. Nem mesmo fontes ilegais de recursos, como o narcotráfico, conseguiam explicar como esses grupos armados pagavam os seus vendedores de armas.

Container suspeito em praia da Somália (Somalia Report)

Uma resposta surgiu em 1997, quando o Greenpeace publicou uma matéria investigativa na revista italiana Famiglia Cristiana. Segundo a matéria, desde os anos 1980 empresas da Itália e Suíça eram responsáveis por transportar resíduos perigosos, inclusive lixo nuclear, da Europa para a Somália. Inicialmente, o acordo passava pelos grupos que ocupavam o governo central do país, que recebiam quantias altas de dinheiro para despejar esses resíduos na costa somali. Quando a guerra civil eclodiu de fato, em 1992, essas empresas europeias tiveram que negociar com cada warlord, que aproveitavam para negociar a aquisição de armas e munições para alimentar o conflito.

Indícios posteriores corroboraram com essa investigação: as ondas que atingiram a costa da Somália durante o grande tsumani no Oceano Índico em 2004 carregaram para as praias centenas de barris com material não identificado. Depois disso, ocorreram casos de intoxicação e envenenamento em moradores dessas regiões, além da contaminação de ecossistemas costeiros.

Investigações na Itália descobriram que mais de 35 milhões de toneladas de lixo tóxico foram exportadas para a Somália, em troca de valores que chegam a mais de US$ 6 bilhões. Em 2005, o PNUD também conduziu sua própria investigação, à luz dos episódios de contaminação decorrentes do tsunami, e concluiu que o despejo de resíduos não acontecia apenas na costa: grupos somalis também depositavam lixo tóxico no interior do país.

As Nações Unidas e o Banco Mundial conduziram um estudo no final dos anos 2000 recomendando a destinação de mais de US$ 42 milhões para localização e destinação apropriada desses resíduos tóxicos. Esse montante, pequeno se comparado com os ganhos que grupos armados somalis tiveram com essas operações, não contempla custos pelo sofrimento humano causado pelo lixo. Pouco se fez até hoje para localizar, identificar e dar a destinação apropriada e segura para esses resíduos. Pior, como as Nações Unidas reconhecem, o despejo continua a ser feito regularmente na costa do país, ameaçando comunidades e contaminando o mar e as praias da Somália.

"Piratas" somalis capturados pela força multinacional em 2009 (U.S. Navy)

Um efeito colateral curioso desse despejo tóxico foi a radicalização do conflito na Somália nos anos 2000. Comunidades de pescadores somalis acabaram perdendo seu ganha-pão com o despejo de resíduos perigosos na costa do país. Uma opção lógica para esses pescadores era ir para o alto-mar, mas eles tinham que competir com as grandes frotas pesqueiras do mundo, que dividem entre si a exploração da pesca no Oceano Índico.

Sem ter como competir com esses grupos, uma ideia radical surgiu: fazer acordos com os warlords para afastar as grandes frotas pesqueiras. Essa proposta permitiu aos warlords vislumbrar uma nova fonte de renda para alimentar o conflito na Somália: sequestro de grandes embarcações, em troca de milhões de dólares em resgate. Os sequestros se intensificaram no final dos anos 2000, quando uma força multinacional começou a patrulhar as águas internacionais próximas da costa da Somália para impedir os ataques de “piratas” somalis. Os sequestros de embarcações diminuíram bastante, mas ainda acontecem em pontos isolados da região; no final de 2013, os “piratas” ainda mantinham sob controle uma embarcação com 50 reféns.

Bruno Toledo, GVces

 

Para enfrentar um mundo de consumismo desenfreado, a cada dia surgem alternativas inovadoras que buscam conscientizar as pessoas sobre a necessidade de mudar hábitos e de diminuir o desperdício que consome recursos e que gera resíduos. Na semana passada falamos sobre o The Freecycle Network, iniciativa que incentiva a troca de bens a partir de anúncios em lista locais de e-mails.

Uma outra ideia inovadora que promove o consumo consciente é a The Swap-O-Matic, uma máquina de venda automática na qual o usuário consegue trocar, receber ou doar um item qualquer para algum desconhecido.

Como ela funciona? Para conseguir um item que está dentro da máquina, você precisa colocar um outro item lá. Você também pode doar um objeto, que te gera créditos que podem ser utilizados para retirar outro produto posteriormente.

Assim, ao invés de consumir mais produtos novos, as pessoas podem trocar bens que não lhes são mais úteis por outros que lhes interessam, sem pressionar ainda mais a demanda por recursos naturais e sem gerar mais resíduos na natureza!

Bruno Toledo
Dica de Leandro Gouveia, GVces

 

Esta é uma iniciativa inovadora e interessante: The Freecycle Network. Funciona a partir de um grupo de e-mails no qual você pode anunciar a oferta ou demanda de algum produto (por exemplo, móveis e equipamentos). É uma boa alternativa para dar uma segunda vida a coisas que não usamos mais, evitando que sejam descartadas.

Este projeto existe em diversas partes do mundo, inclusive em São Paulo! Clique aqui e saiba mais.

Maíra Bombachini, GVces

 

Com a proposta de trazer a experiência de viajar pela maior biodiversidade do planeta, a exposição Amazônia Mundi pretende sensibilizar o público para realidades ainda pouco conhecidas da região, que possui um patrimônio humano, artístico, social e biológico incalculável.

Amazônia Mundi (foto: SESC/Flickr)

Com mais de 1200 m², divididos em dois espaços da so SESC Itaquera, a exposição conta com uma Vila Amazônica, esculturas gigantes de animais da região, instalações artísticas que aludem à floresta suspensa e ao ciclo das águas (“rios voadores”) e uma oca construída por índios Wayana. A visitação permite a observação fugaz de animais e sons escondidos na “floresta”, além das constelações do céu, vistas por diferentes culturas indígenas. A destruição da Amazônia, em decorrência do modelo atual de consumo e desenvolvimento, também é lembrada por meio da instalação “Amazonfagia”.

A trilha sonora do espaço expositivo, concebida por Alvise Migotto, recria sons de pássaros, insetos, vento e chuva, que compõem cada ambiente de uma forma diferente.

Em montagem inédita, a exposição Amazônia Mundi acumula a experiência de outras 12 montagens que percorreram dez países e foram vistas por cerca de 1,5 milhão de pessoas.

Informações:

Exposição Amazônia Mundi

De 30 de novembro/2013 a 10 de maio/2014

De quarta a domingo, das 9h30 às 16h30

Ingressos até R$ 7,00

SESC Itaquera – Av. Fernando do Espírito Santo Alves de Matos, 1000, Itaquera – São Paulo

Bruno Toledo, GVces
Com informações do SESC Itaquera e Catraca Livre

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