Neste fim de semana, o Centro de Mídia Independente em São Paulo realiza a mostra de vídeos “Transgênicos e Alimentação”. Abaixo, imagem do cartaz com a programação. A mostra acontece no Espaço Ay Carmela!, na Rua das Carmelitas, 140, Sé. A entrada é gratuita.

Ricardo Barretto

 

Na última segunda-feira, 15/03, o Auditório do Parque Ibirapuera hospedou o Seminário Economia Verde, uma realização da Agência de Fomento Paulista (Nossa Caixa Desenvolvimento), em conjunto com o Governo do Estado de São Paulo e a Secretaria de Meio Ambiente.

O evento se iniciou com uma apresentação emocionante do coral de jovens Guaranis, da Aldeia Tenonde Porã. Além da música e do cenário (o fundo do palco do Auditório Ibirapuera se abre para uma bela vista do Parque), o mais interessante da apresentação foi descobrir a existência de uma aldeia Guarani aqui mesmo, no Município de São Paulo. Quem passa os dias cercado de prédios e cinza nas regiões centrais da cidade nem imagina que há vida além de Interlagos.

O mote principal do encontro foi o lançamento da Linha de Financiamento Economia Verde, da Nossa Caixa Desenvolvimento, uma linha de crédito direcionada a apoiar pequenas e médias empresas interessadas em mitigar suas emissões de Gases de Efeito Estufa. Tal iniciativa é um ótimo exemplo de como o poder público pode criar incentivos econômicos de forma a estimular boas práticas do mercado.

A regulamentação mantém-se papel fundamental do setor público, mas mesmo a criação de políticas fortes deve vir acompanhada da disposição de instrumentos que ajudem o setor privado a  colocar as regras em prática. É o que esta linha de financiamento representa para a Política Estadual de Mudanças Climáticas, sinalizando para a sociedade a prioridade do tema Mudanças Climáticas para o Estado de São Paulo.

Além do lançamento, o evento contou com a presença de especialistas para discutir os elementos mais importantes na criação de uma Economia Verde. Entre eles estiveram os professores Ignacy Sachs e Jose Goldemberg, o consultor Fabio Feldmann, a coordenadora adjunta do GVces Rachel Biderman e o Secretario do Verde e do Meio Ambiente Eduardo Jorge, alem do moderador convidado do evento, o jornalista Sergio Abranches.

As exposições ao longo dos painéis trouxeram à tona a necessidade do planejamento econômico a partir de um diálogo quadripartite (estado, empresários, trabalhadores e sociedade civil organizada), visando a construção de um modelo desenvolvimentista que contemple também a sustentabilidade ecológica e a inclusão social.

Com o auditório lotado, não foi possível deixar de pensar em como, há alguns anos, este tipo de diálogo seria catalisado por algumas organizações da sociedade civil e da academia e freqüentado apenas pelos “convertidos” da causa ambiental. É interessante notar como o tema evoluiu e aos poucos vem se apresentando no discurso político e no meio empresarial. Será que estamos realmente caminhando para a tão sonhada Economia Verde?

Camila Haddad

 

As questões climáticas saltaram da esfera puramente científica e política e passaram a ter um lugar de destaque na mídia de massa inicialmente em 2006, com o  lançamento do Relatório Stern e, logo depois, do documentário “Uma Verdade Inconveniente” de Al Gore. O Segundo boom popular ocorreu no ano passado, quando o assunto foi catapultado para outro patamar de prioridade na opinião pública. Os motivos são muitos, todos catalisados pela expectativa de um novo acordo mundial na Conferência do Clima de Copenahgue (COP15), o que não ocorreu.

As pessoas se sensibilizaram e cobraram de seus líderes uma posição mais incisiva sobre a questão e, com isso, percebe-se que há no mundo uma mudança em curso. Hoje vemos surgir a chamada nova economia do baixo carbono, cujo paradigma é que as mudanças climáticas são causadas pelo excesso de gases de efeito estufa (GEE) emitidos em decorrência das atividades do homem.  O IPCC diz que, com 95% de certeza, esta teoria é correta e que o mundo irá aquecer mais do que 2 graus centígrados neste século se não mudarmos radicalmente nossa forma de produção e de consumo.

O que pouca gente lembra é que a ciência tem um mecanismo de auto-regulação bastante peculiar e complexo, onde basicamente uma teoria é tida como verdade até que se prove o contrário. Até hoje ninguém propôs uma teoria que pudesse rivalizar com a perfeição do Neo-Darwinismo para explicar a origem das espécies. Mesmo assim esta só é verdade até que alguém proponha algo que seja testável, comprovável, e, portanto, amplamente aceito pela comunidade científica internacional.

Pois bem, foi pensando nestas questões, e também nos erros recentemente encontrados em relatórios do IPCC, que resolvi pesquisar o que os céticos do aquecimento global andam dizendo por ai. Encontrei muita coisa na Internet, a maioria em sites alarmistas que não inspiram nenhuma confiança. Mas encontrei também informações inquietantes, como o documentário chamado “The Great Global Warming Swidle”, disponível no You Tube.  O diretor “prova” que as mudanças climáticas não têm nada a ver com o CO2 lançado na atmosfera e muito menos com as atividades do homem, e sim com as variações na energia cósmica causadas por explosões no sol. Verdade ou não, o documentário é bem feito e tem argumentos fortes.

Particularmente não sou um desses céticos e, apesar do raciocínio até aqui, meu objetivo não é iniciar uma discussão polêmica a respeito da veracidade das mudanças climáticas antropogênicas. O ponto principal é que o engajamento de pessoas e corporações em questões socioambientais não pode se sustentar apenas nas mudanças climáticas. E me parece que a exposição exagerada desta ameaça global acabou por ofuscar uma série de questões importantíssimas que incorporam a sustentabilidade.

Considero esta abordagem perigosa porque, se por um lado o que move a economia do baixo carbono não é uma certeza absoluta, e sim o principio da precaução tardiamente aplicado – já que não temos um planeta B…, por outro as mudanças propostas por esta economia são, sem exceção e sem sombra de dúvida, absolutamente necessárias para nossa sociedade.

Astrês principais propostas sendo discutidas hoje em âmbito global para a mitigação das mudanças climáticas podem ser resumidas em eficiência energética, energias renováveis e redução do desmatamento. Esta primeira é facilmente defendida por argumentos não climáticos, isso porque investir em eficiência energética significa redução de custos e diferenciação dos produtos de uma empresa, tornando-a mais competitiva no médio e longo prazo. Este é um bom motivo para que, no mundo todo, empresas líderes em seus setores realizem inventários de emissões de gases de efeito estufa (GEE), processo que aponta os caminhos para uma boa gestão energética e para a inovação.

A diversificação da matriz energética através do investimento em renováveis é questão de segurança nacional, pois evita que um país dependa tão fortemente de um recurso que, além de finito, é controlado por um grupo de poucos países como no caso do petróleo. Além disso, a implementação conjunta destas duas primeiras propostas reduz a possibilidade de conflitos advindos de disputas por esses recursos finitos e tem ainda um impacto enorme na saúde de moradores de grandes centros urbanos, que sofrem com a poluição do ar causado pelo excesso de meios de transporte ineficientes movidos a combustíveis fosseis.

Por fim, o reconhecimento do valor dos serviços ambientais fornecidos por uma floresta é um argumento fortíssimo contra o desmatamento ilegal que, por si só, deveria ser o bastante para evitar esta pratica há muito tempo. Alem dos serviços mais óbvios como o fornecimento de alimentos, medicamentos, cosméticos, fibras e madeira que uma floresta tropical abriga, temos ainda a questão hídrica que no Brasil é absolutamente estratégica. A umidade exportada pela Amazônia para outras regiões é da ordem de 1,7 trilhões de metros cúbicos de vapor d’água, segundo estimativa do professor Eneas Salatti da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), ou seja, sem a Amazônia nossa produção de grãos e carne e nossa matriz elétrica poderiam estar em risco por falta de chuvas no Centro Oeste, Sul e Sudeste,do país. Estes são apenas alguns de muitos argumentos para provar que investimentos maciços em eficiência energética, energias renováveis e combate ao desflorestamento são necessários e estratégicos para todos os setores da sociedade, independente de termos ou não alguma responsabilidade sobre as mudanças climáticas. Uma abordagem monotemática é frágil e coloca em risco todo o esforço e recursos alocados nas últimas décadas para viabilizar um desenvolvimento mais sustentável.

Já somos quase 7 bilhões de pessoas mas a Terra permanece a mesma. Há mais de 1 bilhão de chineses querendo um padrão de vida melhor e é justo que o façam. . Dependemos demais de recursos não renováveis e, devido a uma péssima gestão de nossas riquezas naturais, estamos acabando com recursos teoricamente abundantes. Questionar verdades tidas como absolutas é saudável, sempre moveu a ciência, mas colocar uma dúvida como desculpa para a inação é um tiro no pé quando as consequências são tão desastrosas para o meio ambiente e o homem.

Os resultados do atual modelo de desenvolvimento insustentável não são previsões futuras, nós a sentimos e pagamos caro por isso todos os dias, isso tem de ficar claro. Portanto, vamos deixar a discussão sobre nossa responsabilidade perante as mudanças climáticas para a ciência e fazer nossa parte porque, caso contrário, quando esta discussão terminar será tarde para comemorarmos.

Beto Strumpf

 

 

Nesta semana, a Mitsubishi anunciou desempenho recorde na conversão de energia solar em elétrica, tanto numa pesquisa com painéis do padrão convencional, quanto de um novo produto, as células ultra finas. Isso significa que esse tipo de matriz energética estaria se tornando cada vez mais viável, tendo ainda os recentes avanços e investimentos da China nessa área para reforçar a trajetória positiva.

A adoção dessa fonte alternativa de modo mais amplo seria um grande alento para o clima do planeta. Mas do Reino Unido vem a indicação de que a preocupação do consumidor na hora de optar pela fonte de energia que utiliza é ainda a grana. Pesquisa divulgada pela fabricante de tecnologia para economia energética Energenie revela que os britânicos pensam mesmo em preço e não carbono na hora de optar pela compra de eletro-eletrônicos, por exemplo.

No Brasil, temos um paralelo recente, em outro setor. Os chamados biocombustíveis, mais especificamente o etanol da cana, vêm amargando críticas pela alta nos preços devido ao intervalo da safra agrícola. Nem na mesa de bar, nem nos noticiários se ouve as pessoas discutirem se manterão o tanque cheio com álcool para reduzir emissões (com base no argumento de que o produto seja realmente menos intenso em carbono). A questão continua sendo o que pesa mais no bolso: o derivado do petróleo ou da cana.

Quem parece estar bem ciente disso é a Google, que também anunciou essa semana estar mais próxima de um sistema de espelhos para geração de energia elétrica a partir do sol que reduzirá pela metade o custo dessa fonte para o consumidor.

Ou seja, a corrida está a pleno vapor. Mas seria positivo se os cidadãos assimiliassem melhor a discussão sobre a viabilidade de seu padrão de consumo e não apenas esperar a solução pronta e barata aparecer na prateleira.

Ricardo Barretto

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