Há algumas semanas eu decidi discutir minha relação com meu carro.

Não pense que foi por causa da iminência do Dia Mundial sem Carro não. Provavelmente essa decisão se deu no meio de algum congestionamento na zona sul de São Paulo – na Marginal Pinheiros, na Av. Washington Luiz, ou arredores. Pode ter sido na Av. Rebouças também, aí já é zona oeste, ou na Marginal Tietê, zona norte… pouco importa.

O fato é que, há alguns dias, eu tenho me condicionado a não pensar no meu carro como primeira opção de transporte em São Paulo.

Confesso que em dias chuvosos, como os das últimas semanas, bate aquele desânimo de molhar a barra da calça, mas pensando bem: dia de chuva + carro + São Paulo = mil vezes pior que a barra da calça molhada!
Tudo isso pra dizer que hoje, dia 22 de setembro, é o Dia Mundial sem Carro. E a cidade de São Paulo, assim como outras cidades e capitais pelo mundo, terá uma programação especial – com direito a bicicletada debaixo de chuva (mais informações logo abaixo).

Ontem eu já comecei a mudar minha rotina de transporte. Normalmente, todas as segundas e quartas, eu saio do trabalho por volta das 18h, pego meu carro e encaro alguns quilometros pelas avenidas Brasil, República do Líbano, Indianópolis e Washington Luiz, até a 90 Graus, academia de escalada. Estresso por cerca de uma hora para relaxar por duas. Mas ontem experimentei pegar metrô e ônibus para chegar lá e pasme: apesar da lotação do metrô, levei no máximo 40 minutos da estação Brigadeiro até a Rua João Pedro Cardoso (ali atrás do aeroporto de Congonhas). Com chuva!

Ponto para o transporte coletivo

Hoje acordei mais cedo.Olhei o céu através da janela da sala. Coloquei uma bota e deixei o guarda-chuva do lado da porta, para não esquecê-lo. Tenho a sorte de trabalhar perto de casa, umas 15 a 20 quadras que me custam 20 minutos de caminhada.

Já na rua, na minha caminhada quase rotineira – e cada vez mais diária, desde que comecei a discutir a relação com meu carro – me senti orgulhosa de não depender do automóvel no dia de hoje, 22 de setembro. E quase em seguida questionei essa sensação, pois deveria me sentir orgulhosa de não depender do meu carro, a não ser para as minhas viagens de final de semana, sempre.

Infelizmente isso não é possível para todo mundo, pois o transporte coletivo ainda deixa muito a desejar. Mas quando penso que, como eu, existem pessoas que poderiam ir andando ao trabalho ou a escola mas não vão – e me incluo nessa, pois muitas vezes peguei o carro para trabalhar e fiquei rodando para achar uma vaga, desistindo após 2 voltas e pagando estacionamento – fico lamentando por todas as horas perdidas no meio desse trânsito caótico, de pessoas estressadas.

Conforto?

Bem, estou mais para o conforto de perder uns quilinhos e ficar de bem com o espelho, do que o “conforto” do meu carro durante uma hora e meia parada para andar 7km. Se bobear, dependendo do fôlego, correndo leva-se menos tempo.

E meu carro que me desculpe… mas estou bem feliz sem ele!

Mais informações:

Dia 22/09, terça-feira, das 07h às 19h: “VAGA VIVA”
Local: Rua Padre João Manoel – ao lado do Conjto. Nacional (Av. Paulista – metrô Consolação)

Dia 22/09, terça-feira, das 09h às 12h: “PRAIA NO TIETÊ” (Local: Marginal Tietê na Ponte das Bandeiras) – Promovida pela Fund. SOS Mata Atlântica a “Praia” pretende reunir 200 pessoas para encenar uma manhã de lazer com caminhada, jogos e até um banho de sol. O evento será transmitido ao vivo pela Rádio Eldorado.

Dia 22/09,  terça-feira, às 18h: BICICLETADA!
Concentração às 18h na Praça do Ciclista (Av. Paulista x Av. Consoloção) e saída às 20h.
Veja mais informações em: www.bicicletada.org/DMSC2009

Dia 22/09,  terça-feira, das 18h às 20h30: AUTOÓLICOS ANÔNIMOS
Intervenção artística para sensibilizar a população para o uso consciente do carro.

CICLOROTAS!  Quer pegar uma carona para o trabalho no bonde das bicicletas? Ciclistas nos ajudarão! Aguarde mais informações e prepare-se para pedalar no dia dia 22/09,  terça-feira!

Mais:

ecourbana.wordpress.com
www.nossasaopaulo.org.br
www.apocalipsemotorizado.net
www.ciclobr.com.br

por Maria Rita Borba

 

Em 22 de setembro - Dia Mundial sem Carro – estréia em mais de 50 paíse o filme The Age of Stupid - http://www.ageofstupid.net - sobre as mudanças climáticas. O filme é impactante e tem feito muito sucesso na Inglaterra, onde os produtores estão lançando um grande campanha para reduzir as emissões de carbono do país em 10% até o final de 2010.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=DZjsJdokC0s&hl=pt-br&fs=1&]

Detalhes da estreia em São Paulo:
http://www.ageofstupid.net/screenings/cinemas/1987

Dia 22/09 – 19h
Av. Paulista, 2073
Conjunto Nacional

O filme só entrará em cartaz se tiver um bom público na estreia. Levem os amigos!!

Para estreias em outras partes do país nos dias 21 e 22/09:
http://www.ageofstupid.net/screenings/country/Brazil

por Daniela Gomes

 

imagemIndicação de Rogério Bento:

Será exibido hoje, em primeira mão, em Nova York o documentário “No Impact Man”, que traz a história de Colin Beavan, o escritor de ficção que decidiu passar um ano (entre 2006 e 2007) gerando o menor impacto possível sobre o meio ambiente – o que incluía as atitudes da mulher, da filha, na época com 2 anos, e do cachorro. A exibição integra a série Green Screens (Projeções Verdes) do cinema do Lincoln Center, que apresenta filmes com uma pegada sustentável

Para cumprir o objetivo de impacto quase zero, Colin e a família, que continuaram morando em Manhattan, adotaram uma série de medidas, entre elas:

- para sair do apartamento, no nono andar de um prédio, só usando as escadas;
- eles aboliram táxi, carro e metrô. Para as longas distâncias valia usar um triciclo feito especialmente para isso;
- não consumiram carne vermelha;
- só compraram comida produzida por fazendas que ficavam a até 400 km de sua casa;
- nada de TV, ar condicionado ou máquina de lavar louça;
- no lugar de xampu, usaram bicarbonato de sódio;
- não usaram pasta de dentes e nem papel higiênico;
- não compraram água em garrafa;
- reciclaram seu lixo;
- limparam, voluntariamente, praias poluídas e
- plantaram árvores.

A história da família foi registrada no blog http://noimpactman.typepad.com/blog/”  e acaba de virar livro. O lançamento aconteceu ontem, nos Estados Unidos.

O documentário de 93 minutos entra em cartaz no dia 11 deste mês, em Nova York e em Los Angeles.

Depois de um ano, a rotina da família Beavan deixou de ser tão radical, mas eles aprenderam a viver de maneira bem mais sustentável.

Você encararia um programa de redução de impacto como esse?

 

A partir do dia 1º de setembro, o centro de São Paulo vai receber o Setembro Verde, uma série de eventos culturais sobre a questão socioambiental. A iniciativa é da Matilha Cultural, nova entidade independente e sem fins lucrativos que está se instalando em um edifício transformado em centro cultural próximo ao Largo do Arouche. Com duração de um mês, o Setembro Verde envolve a estréia do filme francês Home em telas paulistanas, apoio ao festival de música eletrônica Ecosystem e mostras de documentários, palestras e workshops gratuitos sobre música e meio ambiente.

setembro_verdeO Setembro Verde é a primeira iniciativa socioambiental da Matilha Cultural, espaço independente inaugurado em maio que conta com uma sala de cinema (com um projetor digital e um 35 mm) de 68 lugares, arena para eventos, galeria de exposições e café. Cerca de 20 ONGs e coletivos sociais como Aprendiz, Veredas, Eletrocooperativa, Saúde e Alegria e Dulcinéia Catadora estão envolvidos nesse esforço de mobilização e conscientização. Em parceria com o Consulado Francês, a pré-estréia do filme “Home” na sala de cinema da Matilha Cultural será no dia 01 de setembro. A partir do dia 08, serão realizadas sessões gratuitas do filme até o final do mês, com agenda especial para escolas e grupos organizados.

O filme Home foi dirigido pelo francês Yann Arthus-Bertrand e produzido por Luc Besson. Foram dois anos de filmagens em 54 países que geraram mais de 500 horas de material bruto, filmado inteiramente do ar, do alto de helicópteros, de aviões e torres. Home é um projeto sem fins lucrativos que visa a conscientização sobre o estado ambiental do planeta. O filme estreou simultaneamente no último dia 5 de junho em 126 países, projetado em telas ao ar livre, cinemas, internet, televisão e DVD e essa será sua primeira exibição em cinemas paulistanos.

O Setembro Verde vai promover ainda performances e palestras de ONGs e movimentos sociais abertos ao público e com entrada gratuita. Na primeira semana, os temas das palestras serão Amazônia, Mudanças Climáticas, Oceanos e Mobilização em Rede. Serão realizados workshops com músicos particpantes do festival de música Eletrônica Ecosystem. Esta é a quinta edição do Ecosystem, que começou em 2001 em Manaus e inovou ao incluir critérios ambientais na produção do evento. A festa do Ecosystem acontece no dia 06 de setembro na Casa das Caldeiras. Confira detalhes e line up do evento em www.ecosystemfestival.org.

“Poder exibir o filme Home, apoiar festivais musicais e promover estes debates e palestras para democratizar o conhecimento sobre a questão ambiental, além de servir como ponto de encontro para entidades e pessoas de todos os tipos e partes da cidade, são os nossos objetivos com o Setembro Verde. Queremos transformar este espaço em um centro de convergência de idéias e mostrar que é possível existir e trabalhar sincronizados com o planeta e de forma não-comercial”, disse Ricardo Costa, idealizador da Matilha Cultural. Para colocar em prática este ideal, a Matilha Cultural está adotando uma série de critérios sócio-ambientais para selecionar fornecedores e parceiros, além de adotar medidas práticas para reduzir os impactos ambientais de sua operação.

Está prevista a adoção de um plano de uso eficiente de eletricidade, política de lixo zero, utilização de materiais reciclados, recicláveis e biodegradáveis, promoção de alimentos orgânicos e de comércio justo e o incentivo ao uso de transportes públicos na região central, além da neutralização das emissões de gases estufa decorrentes da operação do espaço. “Será um processo gradual de adequação com o objetivo de mostrar que é possível construir um centro de eventos sustentáveis no coração de São Paulo”, afirma Rebeca Lerer, diretora do espaço. “O espaço será locado para eventos privados e a renda dessa locação será revertida para financiar os projetos culturais e sócio-ambientais apoiados pela entidade”.

A Matilha Cultural abriu suas portas em abril com uma exposição de grafitti. Em julho e agosto, o espaço foi ocupado pela mostra Reboard de arte em skate, que atraiu cerca de duas mil pessoas durante os dois meses de exposição.

© 2016 GVces - Coletivo Sustentável Suffusion theme by Sayontan Sinha