Por Camila Haddad

Assim como a todo morador de São Paulo, trânsito é um problema que me afeta todos os dias e, por isso, traz à tona várias reflexões. Quando tenho a sorte de estar em casa na hora do rush, da minha janela consigo enxergar a 23 de maio toda iluminada: branco na pista que vem, vermelho na pista que vai. Até que seria bonito se eu não soubesse qual é a sensação quando se está lá em baixo.

23deMaio

O engraçado é que foi esse “zoom out” que me fez entender que eu sou parte do problema. Me fez compreender que quando eu saio de casa de carro eu não enfrento o trânsito, eu SOU o trânsito. E, pensando assim, cheguei à conclusão de que também sou parte da solução.

Foi então que, há cerca de um ano, resolvi, sempre que possível, substituir o carro pelo uso de transporte público. Como consequência consegui reduzir meu tempo de locomoção (graças aos corredores de ônibus), passei a caminhar mais, gastar menos, e, principalmente, me estressar menos. Ao contrário do que se costuma pensar, ao deixar o carro eu me senti mais livre. No ônibus eu ganho as minhas mãos e meu cérebro para o fim que eu bem entender: ler, ouvir música, dormir. Também não sou mais refém dos estacionamentos, vallet services, flanelinhas e afins.

Vários fatores me levaram a esta decisão. Alguns derivados da consciência coletiva, mas muitos outros foram motivadores pessoais. Confesso também que o “auto”sacrifício – com o perdão do duplo sentido foi mínimo: minhas rotas diárias são bem servidas de metrô e ônibus e eu ainda posso contar com meu carro nos finais de semana.

E é daí que deriva a reflexão que deu origem a este post.

Lendo sobre as obras da Nova Marginal Tietê fiquei com uma pulga atrás da orelha. O meu bom senso já dizia que aumentar o número de vias passa longe de ser uma boa solução, mesmo se considerarmos exclusivamente o problema do trânsito (e ignorar os problemas ambientais e de saúde decorrentes dele). Dias depois recebi o link para um post do Sedentário Hiperativo que reforçou as minhas suspeitas.

O post falava sobre um pressuposto matemático, o paradoxo de Braess, segundo o qual é possível concluir que mais estradas podem significar mais congestionamento. O paradoxo demonstra que “agentes escolhendo individualmente o caminho que lhes é mais rápido, faz com que coletivamente todos acabem levando mais tempo”.

A conclusão do paradoxo não pode ser tomada como regra, até porque problemas com tal grau de complexidade nunca apresentam uma solução única. Mas ler sobre escolhas individuais e efeitos coletivos me levou a pensar em um outro arcabouço teórico (teoria dos jogos, tragédia dos comuns, para citar alguns) que nos leva a único ponto: escolhas que visam maximizar o bem-estar individual, nem sempre (eu diria quase nunca) levam à maximização do bem-estar coletivo.

Nesse esquizofrênico emaranhado de reflexões e teorias tive uma epifania, que depois me pareceu uma conclusão muito óbvia. Enquanto não nos enxergamos como parte de um todo e continuarmos a basear nossas decisões em uma visão míope e auto centrada da vida, acabaremos prejudicando, em última análise, a nós mesmos.

Isso pode parecer um pouco assustador, mas, em certa medida, também é estimulante. Como acontece com o trânsito, acontece com todo o resto: se sou parte do problema, também sou parte da solução. Está aí, claro e simples, o papel do indivíduo na sustentabilidade.

Não preciso esperar o fim da crise, a criação de políticas públicas, o resultado da COP, ou o  polpudo investimento estrangeiro no Fundo Amazônia, pois em nada disso eu (cidadão comum) tenho real influência. Mas posso ter a certeza de que, de alguma forma, as minhas atitudes fazem sim a diferença. E o fazem tanto para o bem quanto para o mal.

Termino por aqui, repetindo um trecho do “Allan na China” sobre o Tao e o princípio da unidade que em poucas linhas resumiu tudo o que eu demorei muitas viagens de ônibus e alguns parágrafos para concluir…

“ao perceber que todas as coisas (inclusive nós mesmos) são interdependentes e constantemente redefinidas pela mudança das circunstâncias, passamos a ver todas as coisas como elas são, e a nós mesmos como apenas uma parte do momento presente. Pelo estudo da natureza da vida, você pode influenciar o mundo do modo mais fácil e menos disruptivo (usando a sutileza em vez da força).”

 

“Chocolate city”

 Às vezes, na fila do baozi (pãozinho no vapor recheado com porco, servido no almoço) ou nos minutos antes das aulas, dá pra trocar algumas palavras com os alunos chineses. É espantoso flagrar como eles encaixam, nas brechas da sua lógica cientificista, superstições e mitos. Ao sentar do lado de uma chinesa pra tomar café da manhã, puxei papo dizendo “Você não gosta de café?” e ela “Não muito, mas gosto. Não tenho o hábito de tomar” “Por que?” “Todos na China sabem que se você tomar muito café, sua pele escurece e você pode ficar preto!”. Essa chinesa de 20 e poucos anos é inteligentíssima, viajada e estuda em uma das melhores universidades do país.

Pelo que descobri por aqui, a pele bem branca – especialmente nas mulheres – indica enlightment ou “iluminação”, uma “pessoa iluminada”. As mulheres andam com sombrinhas para cima e para baixo e colocam mangas compridas para dirigir suas bicicletas nessa sauna que é Xangai. Isso acaba gerando uma mistura de preconceito e curiosidade a respeito dos negros. Em todos os dias da primeira semana, pelo menos um chinês veio me perguntar se “tínhamos muitos negros no Brasil”, depois de falar um pouco sobre nossa população, sobre a mistura das raças e tal, não raro terminavam com “we have black people at Chongquin city, like chocolate people”.

Via de regra, nós brasileiros chamamos muito a atenção por onde passamos. Temos no grupo um alemão, uma sino-brasileira, uma negra, uns três ou quatro pardos, loiras, morenos, altos, baixos…uma boa amostragem (para variar, nada de indígenas). No geral, rivalizamos com as atrações turísticas … quando algum chinês vence a timidez e pede pra tirar uma foto com alguém, logo uma fila olhos puxados se forma e dá-lhe flashes … a graça não é a loira ou a negra, é o espanto gerado por todos virem do mesmo canto do mundo … vários desconfiam que somos mesmo todos de um só país.

Chongquin é uma cidade chinesa, das grandes. É um pólo industrial, que virou capital da China durante a segunda guerra sino-japonesa (1937-45), eles transferiram a capital pra lá pois graças à geografia do lugar – a cidade é encravada em um vale – e a alta quantidade de fornos industriais, a poluição era tamanha que os aviões japoneses não conseguiam enxergar os alvos de bombardeios. Até hoje é a maior concentração de enfisema pulmonar do mundo. É também uma região portuária que liga a China com a África, local de onde saem milhares de armas (sobretudo pistolas) fabricadas aqui para armar as milícias do continente vizinho, por isso, uma pequena população africana se instalou em um bairro da cidade, chamado de … chocolate city.

Amigo plice for you!

De tudo que fizemos ou vimos, é claro o que mais se destaca: a voracidade e disposição ao consumo. Os brasileiros ao desembarcar nas atrações turísticas devotam 30% do tempo a tirar fotos randômicas de “lugares bonitinhos” e 70% a escarafunchar as gift shops. As atrações prediletas dos brasileiros em Xangai, ao invés de um passeio de bicicleta no Century Park, da tradicional cerimônia do chá ou do escondido museu de pôsteres comunistas no porão de um prédio na concessão francesa são o Fake Market (o nome dispensa explicações, é isso mesmo) ou a Nanjing Lu (um calçadão de 2,5 km rodeados de lojas e dezenas de andares de shoppings na vertical). Ao final de todos os dias, os estudantes peregrinam pelos corredores do hotel em que estamos instalados exibindo seus troféus: um “Ray Ban” por 10 yuans (R$ 2,70), um “Rolex” por 20 yuans (R$ 5,40) ou um Playstation 3 por 5.400 Yuans (R$ 1.460,00).

Apesar de eu estar atrás de umas 18 “lembrancinhas” para levar, ainda não a arranjei a paciência necessária e nem vi nada que valesse a pena de fato. Não existe transação comercial com turista que leve menos de 5 minutos…um simples “quanto é?” desencadeia uma espiral de ofertas, contra-ofertas e beliscões que requer um aquecimento olímpico! As frases mais típicas são: “You killing me with this plice my fliend!”, “I have no plofit!”, “Amigo plice for you! You good fliend!”, “How  much you pay? Give me your plice!”. Aos desavisados: plice = price = preço … mas pronuncia-se “plais”.

Comprei até agora uma bermuda e uns cacarecos, nesse vai volta baixei o preço de 360 yuans (R$ 97,20) para 50 yuans (R$13,50) pela bermuda da “Abecrombier & Fetch”. Com guarda-chuvas por US$ 1,70, 5 miniaturas dos guerreiros de terracota por US$ 0,80, pen-drives de “500 Gb” por US$ 5,00 o que impera é a cultura do descartável…e dá-lhe lixo, afluência, recursos…se chega pro consumidor final por esse preço, não imagino com quantas migalhas o trabalhador ficou.

No começo da viagem achei que este comportamento era normal dos brasileiros, um pouco deslumbrados com os preços das “réplicas” – não se engane, tem muito produto bom, o preço é bem caro – mas confirmo todo dia como o chinês valoriza a ostentação.

Não raro eles perguntam a você, sem rodeios: “How much money do you make?”; “How much money you have in your bank account?”; “How much you paid for these shoes you are wearing?”. Aqui é normal, nada indiscreto. Em Xi’an fui a um bar, ao cumprimentar um chinês ouvi logo depois do “nice to meet you” um “eu tenho uma empresa na Califórnia, ela fatura mais de 700 mil dólares por mês lá!”…e eu com isso?

É uma forma de se destacar em meio a 2,6 bilhões de olhos puxados. Uma amiga brasileira que mora em Xangai disse que a ostentação é valorizadíssima! Ela mora um apartamento no centro da cidade, 130 metros quadrados, aluguel equivalente a R$ 6.800,00/mês (a empresa paga pra ela), me disse que na garagem só tem Maserati, Porsche e Mercedez  mas que os donos destes carros vão todo dia tomar banho na academia de ginástica para não ter que pagar pela água …

Pro almoço: banha frita com gordura à milanesa…

De todos os eufemismos que as vendedoras de roupa usam para falar que você é gordo, o meu predileto é “fortinho”. As roupas que antes dançavam no meu corpo já estão bem ajustadas à nova geometria. Passados quase 20 dias, prefiro acreditar que estou mais “forte”. Não tem pra onde correr, em geral, a opção mais saudável de janta é um cup noodles, um baldinho de miojo. No restaurante da faculdade – considerado “estilo ocidental” por servir a comida em um Buffet, ter pão de forma e batata frita – absolutamente TUDO é frito ou mergulhado no óleo. As raras vezes em que serviram uma salada crua (duas para ser mais preciso), ela brilhava. Ví em um programa culinária que o brilho do óleo é considerado um sinal de frescor… haja chá pra limpar tudo isso …

Important? No…controversial…

Como trabalho final do curso, temos que apresentar algo em 10 minutos. É assim amplo. Três chineses, três brasileiros se virando nos 10 minutos. Se tiver alguma relação com o curso tanto melhor; se não, paciência…
 Como proposta de trabalho do meu grupo, sugeri aos chineses que estudássemos casos, na China e no Brasil, de populações que sofreram algum tipo de violação de seus direitos básicos como conseqüência da pressão pelo uso e extração de recursos naturais. Não foi muito bem aceita, abaixo transcrevo um trecho de nossa conversa:

Chinês : Essa questão envolve um assunto que gera muita pressão ao país, sobretudo dos Estados Unidos…
Allan: Sei…direitos humanos, não?
Chinês: Isso…essa questão é muito…err…
Allan: Importante?
Chinês: Não! Controversa…

 No final, vamos analisar os subprodutos negativos dos modelos de crescimento chinês e brasileiro. Mais paciência…

“I believe in science…and dogs!”

Sedentos por um vislumbre da ancestral cultura chinesa ou algumas palavras de sabedoria, vários brasileiros se mostraram interessados em conhecer a religião dos chineses da nossa sala. Não acho que as respostas satisfizeram seus anseios, mas a vejo como um forte indicador da nova China e da sua plasticidade.

Ao perguntar para um companheiro em que ele acreditava, eis a resposta “I believe in science…and dogs!”. Ele explica: seus avôs, em alguma ocasião de guerra, foram salvos por um cachorro. Ele não sabe bem como, mas só sabe foi assim – ê chicó!! Como sinal de gratidão, a família dele não come cachorros (não é comum na China, mas ainda tem gente que come) e sempre que pode, alimenta-os. Já a ciência … essa sim é a nova religião. Pelos alunos chineses, a nova geração, a natureza parece ser é um obstáculo a ser superado … nenhum chinês mostrou espanto com a pergunta de um colega asiático durante uma aula sobre a expansão do cultivo de soja do cerrado:

“Professor, agora que podemos coletar e guardar células animais em laboratórios especializados e cloná-los futuramente caso seja necessário, o que você acha a respeito do fato de o desenvolvimento humano ser atrasado pelo ambientalismo?”.

A tradução é fuleira por que a enunciação da pergunta em inglês também foi.

Não é difícil perceber a influência do governo na educação. Segundo uma amiga chinesa, o governo dá especial prioridade, no ensino médio, para o ensino do confucionismo. Entre outras reflexões, Confúcio pregava o imperativo de ser um bom filho. A mãe e o pai presenteiam a criança com a vida e por isso merecem obediência irrestrita, eles são os mais sábios (pela vivência) e os maiores interessados no bem estar do filho. A noção de hierarquia pai/chefe, filho/aprendiz é fortíssima e se reflete em todas as relações … o governo, segundo minha amiga, é encarado como uma extensão da sua família. Por mais que você discorde, que seja doloroso, que não faça sentido para você, ele é o sábio que tem o interesse de zelar pelo seu bem estar. Ir contra o governo é como levantar a mão aos seus pais. Se ele errar, paciência! Todo mundo erra, mesmo que o “erro” do governo seja uma execução de “incorrigíveis rebeldes”.

Quando o assunto é meio ambiente, só se ouve falar em eco-eficiência, ou seja, a minimização dos impactos pelo uso de tecnologia, em geral, mais eficientes no uso de recursos. Na famigerada equação do I = (P) (A) / T, interessa em primeiro lugar o “T” e depois o “P”, o “A” não é sequer mencionado…(aos não familiarizados com o conceito, dê uma olhada aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/I_PAT). A afluência não importa, por esta variável ser considerada em escala “per capita”, os 650 milhões de chineses que ainda vivem no meio rural quebram o galho dos perdulários de Xangai, Pequim, Guangzhou, Shenzen, Dongguan … mas isso logo acaba. Xangai tem crescido cerca de 20% ao ano nos últimos 10 anos.

A tecnologia é a toda-poderosa redentora, exemplo disso é Dongtan (http://pt.wikipedia.org/wiki/Dongtan). Dongtan é uma cidade que está sendo construída na ilha de Chongming (não é Chongquin, aquela cidade que comentei lá em cima!) planejada para ser a primeira eco-cidade 100% sustentável do mundo. Para um governo autoritário que não enxerga a dimensão social da sustentabilidade, expulsar milhares de residentes de sua terra natal para construir um paraíso ecológico destinado a 20.000 milionários chineses é um modelo plenamente aceitável. Dongtan fica a 25 km de Xangai, não entendo por que ao invés de visitar a ilha pegamos um avião para ver os guerreiros de terracota…

O controle populacional é uma engenharia precisa, resultado da combinação: engenheiros + Excel. Já ouvi umas 4 vezes a frase “e assim conseguimos evitar o nascimento de 400 milhões de chineses” ser orgulhosamente pronunciada. Tinha alguma esperança de ver o taoísmo chinês aplicado ao desenvolvimento. Essa corrente filosófica valoriza profundamente a espontaneidade e a relação harmônica do homem com a natureza. Um dos princípios do Tao é o da unidade, que diz: ao perceber que todas as coisas (inclusive nós mesmos) são interdependentes e constantemente redefinidas pela mudança das circunstâncias, passamos a ver todas as coisas como elas são, e a nós mesmos como apenas uma parte do momento presente. Pelo estudo da natureza da vida, você pode influenciar o mundo do modo mais fácil e menos disruptivo (usando a sutileza em vez da força).

Xangai tem registrado nas últimas semanas novos recordes pluviométricos, um calor insuportável, além do tufão Marakot que acabou de chegar aqui vindo de Taiwan … não dá pra deduzir nada disso aí?

De perto, bem de pertinho…todos queremos as mesmas coisas…

“Quem conhece o solo e o subsolo da vida, sabe muito bem que um trecho de muro, um banco, um tapete, um guarda-chuva, são ricos de idéias ou de sentimentos, quando nós também somos, e que as reflexões de parceria entre os homens e as coisas compõem um dos mais ricos fenômenos da Terra.”

Machado de Assis, em “Quincas Borba”

Os fins de semana estão reservados para excursões em grupo. Já fomos para Suzhou, Wuzhen, Xi’an e arredores, hoje a tarde vamos de trem para Pequim. Turismo no atacado. Acorda, *entra no ônibus, guia dá explicações em chinglish, sai do ônibus, tira foto – leia a partir do * mais quatro vezes, depois continue – entra no ônibus, desce do ônibus, janta, entra no ônibus, sai do ônibus no hotel. Quatro ou cinco atrações no dia. Tudo é sempre muito cheio de gente, de placa, de informação, de loja, de luz, de línguas estranhas, de coloridos …

Cansado dessa brincadeira de visitar os lugares a 300km/h, na Wild Goose Pagoda, em Xi’an, desisti de ver a oitava pagoda da semana e saí do grupo, fui para um parque perto do local, sentei embaixo de uma espécie de coreto com arquitetura chinesa e fiquei olhando as pessoas, durante duas horas … um casal com uma filha pequena comendo biscoitos, um casal de idosos, mãos dadas, alguns jovens, risadas, transeuntes, mochilas, sol batendo … tudo muito normal. Em uma das 54 horas dispensadas na janela do ônibus, não pude deixar de notar a semelhança de alguns lugares que passamos com a Índia, Turquia, França, São Paulo … pessoas, casas, lojas, vendedores, policias … diferenças são detalhes … tudo normal, esperado …

Não sei o que é a China, sei apenas da China que vou levar. Fico lembrando as aulas na filosofia, as primeiras discussões sobre epistemologia … O que é conhecer? O que é preciso acontecer para que se possa afirmar “isso eu conheço”?

Não dá pra escapar da expectativa pré-viagem de deparar-se com o desconhecido, com um desconhecido abstrato que promova insights inusitados ou epifanias redentoras … mas Fernando Pessoa, através de Álvaro de Campos, ao falar da morte no poema Se te queres matar, já decreta esta impossibilidade “Mas o que é conhecido?  O que é que tu conheces, / Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?”.
Boa pergunta…

“- Radiguet não é nem a sombra do que foi. Perdeu aquele ar doentio que lhe ia tão bem. Você se lembra que nós alimentávamos uma esperançazinha de que ele estivesse fraco do peito, acabasse um poeta descabelado e desmilinguido? Qual o quê! Perdi meu futuro cliente: está forte, saudável, professor, vive estudando filosofia, filologia, psicologia, tudo para acabar descobrindo um dia que a vida é isso mesmo.”

                                                                               Fernando Sabino, em “Encontro Marcado”

 A vida é isso mesmo.

Allan

PS 1: Outra razão para demorar a escrever é a certeza de uma inescapável frustração ao terminar de escrever o e-mail, seguro de que não passei nem um centésimo do que dá pra tirar nesses dias por aqui. Paciência…

PS 2: Escrevi parte deste e-mail antes da penúltima aula do curso, o título é “Environment and Health”, ministrada pelo professor Yuan Tao. Segundo o professor a definição de saúde é: “Health is a state of complete physical, mental, social and spiritual well-being and not merely the absence of disease or infirmity. It also comprehends the ability to lead a social and economically productive life”. Segundo ele “if you are a good person but don’t contribute to the society…are you healthy? Of course not!” – olha o dedinho do partidão aí de novo…

 Sou o único brasileiro na sala. Apesar do meu chinês de 25 de março, consegui entender o professor comentando “cadê os brasileiros? Só tem chinês aqui?”. Aos poucos alguns outros alunos vão chegando, mas pega muito mal pra gente … o professor, ciente do descaso da sala com a matéria, tentou forçar em speed mode lançando, com um  sorriso irônico, em todos os slides “vocês estão interessados no mecanismo da bio-membrana ou posso pular? Ótimo, vamos pular essa parte…”.

 

Retocai o céu de anil
Bandeirolas no cordão
Grande festa em toda a nação
Despertai com orações
O avanço industrial
Vem trazer nossa redenção

                                                     Parque Industrial – Tom zé

“Zao Shang Hao!”

 Olá! Não me apressei muito em mandar notícias por três razões, a primeira, é claro, foi a presteza e o detalhismo dos reports do Mario – box sobre o Wu Shu e Daijí (tai-chí), fotos, movimentos do velinho, velocidade da ferrari, letras do Renato Russo…enfim, é dificíl competir com tudo isso! A segunda razão foi por perceber que o épico misticismo chinês compreende uma lógica singular e dinâmica para determinar quais pontos do espaço cósmico estão cobertos pela internet wi-fi. Um dia é o segundo andar do hotel, outro dia é o terceiro – mas só do meio dia até as 13:37! – outro dia não é lugar nenhum…só resolvi a pendenga quando apelei pro bom e velho cabo que sai da parede e entra no computador – Lao-Tsé que me desculpe, eu preciso ver quanto foi o jogo do coringão. A terceira foi que ao colocar na balança “conhecer mais um canto de Xangai” e “ficar no computador”, a primeira opção foi a campeã na maioria das vezes. Compreensível.
 
“Uau! Isso ai é turismo..!”

 Ontem no café da manhã, um senhor chinês me perguntou: where are you all from? Inusitado…no geral, os chineses não excedem as espiadas de rabo de olho às loiras do grupo…Ele trabalha em Barcelona e ficou curioso pela profusão de logos do Santander. Disse a ele que somos brasileiros, que estamos aqui fazendo um curso sobre “meio ambiente e mudanças climáticas” que já estivemos em Suzhou, Wuzhen, Xian e que amanhã iríamos a Pequim…quando ele disse: “Uau! Isso aí é turismo…vocês não são estudantes!”. Então…

Difícil negar a esquizofrenia desta viagem. Com certeza a parte acadêmica não é [mais] o destaque, porém, tampouco estamos aqui para fazer turismo. No geral as aulas simplesmente não fluem. Em muitos casos a pouca familiaridade da maioria dos professores e alunos (chineses e brasileiros) com o inglês torna a comunicação sofrível, especialmente quando a discussão é sobre o papel do NADPH+ na síntese de ATP pelas mitocôndrias. Em outros, os assuntos são demasiadamente específicos e fazem sentido para não mais que 5% dos alunos. Os brasileiros, se valendo da ausência de qualquer tipo de controle de presença, já decretaram que as aulas são facultativas e, como não temos dias livres em Xangai, usam o período para fazer compras, conhecer as lojas, pechinchar, fazer compras, encher as sacolas e eventualmente conhecer Xangai. Dá um embaraço ver a aula lotada de chineses (ainda que a maioria esteja dormindo nas carteiras) e com não mais que 8 brasileiros (dos 45 que vieram).

Apesar do cenário, alguns destaques. Um professor da UNB deu uma aula muito interessante sobre os recursos hídricos em Brasília e nas cidades satélites, uma professora chinesa – apesar do inglês – deu uma boa palestra sobre a água em Xangai e a aula da Mário conseguiu provocar o pessoal…foi o único momento em que brasileiros e chineses tiveram uma pausa para refletir e debater. Antes da aula do Mário, fiz uma apresentação em inglês do nosso projeto dos indicadores de Juruti…com direito a apresentação do grande arrasa-bilheterias, o Juruvídeo. Não se espantem se em uma viagem China vocês forem reconhecidos.

Se me perguntassem qual seria o formato mais apropriado para este encontro, seguramente privilegiaria o debate. Temos no grupo oceanógrafos, profissionais de comércio exterior, engenheiros civis, biólogos, gestores ambientais, advogados, meteorologistas entre muuuuuuuuuitos outros. Dada a impossibilidade de nos aprofundarmos em minúcias de cada escola, mais valeria aproveitar a pluralidade do grupo pra discutir questões, problemas, alternativas e desafios sob as diversas óticas.  Os brasileiros têm muito poucas oportunidades de interagir com os chineses. Eles estão alojados em um campus que dista (pelo menos) 30 km do nosso, não fazem a maioria dos passeios conosco, não viajam com a gente (disseram que pra Pequim eles vão…veremos…). Tudo o que para nós é gratuito, eles têm que pagar – e não é barato. Só temos um tempo para conversar nos corridos minutos do almoço e tudo isso agravado pelo abismo cultural que existe entre os latinos e os asiáticos. Enquanto os brasileiros querem sair quase todas as noites, aprender xingamentos em chinês e fazer piada de tudo, os chineses acham que essas coisas são na maioria das vezes desrespeitosas e atitudes de “quem não quer nada com a vida”. Apesar das diferenças são todos MUITO simpáticos, solícitos e companheiros, mas acho que poucos brasileiros têm interesse e paciência em estabelecer laços verdadeiros com algum companheiro de sala. Dá trabalho, mas vale a pena.

Pra brasileiro ver..?

O Mário relatou nossa visita ao Campus Ming Qa da faculdade de Xangai. É um espanto. Por tudo. O tamanho, a arquitetura, o pé direito, a magnitude, as ruas largas, a estrutura esportiva…é tanto…mais tanto…que desconfio…precisa?

Tive um professor de história no ensino médio que, ao falar da opulência das igrejas na idade média, sempre comentava que “a arquitetura é a oratória do poder”. Ele dizia que o objetivo era fazer com que o fiel, ao entrar na igreja, lembrasse da sua insignificância perante a magnificência de deus, da igreja, da autoridade…ou do Estado, do partidão…Nunca fez tanto sentido como aqui. Depois de ler uns 20 livros sobre a história da China e de seu afã em impressionar os estrangeiros, passei a desconfiar se aqueles alunos pingados que cruzamos na faculdade estavam mesmo “pesquisando” em plenas férias ou se estavam representando (como a maioria dos que estavam na cerimônia de abertura do curso). A última vez que tinha rememorado a famigerada frase do meu professor de história foi quando fui pela primeira vez, de barco, para Juruti Velho … a mata amontoada às margens do riozão, aquele barquinho arranhando a água, a gente insetos deslizando no Amazonas … aí sim …

“Isso aqui é uma caixa preta cara…!”

Segundo a nossa guia dos passeios de fim de semana, depois que Buda morreu seu corpo foi cremado. Contudo, alguns ossos não chegaram a virar cinzas e, encarados como o próprio corpo do Buda, foram distribuídos entre alguns templos budistas do mundo e viraram símbolos de adoração e respeito. Neste último passeio a Xi´an fomos para o Templo Famen (impossível não lembrar da Cecília!) onde é possível ver um dos “Buddha Bones”. O governo chinês encasquetou que este será o maior templo budista da China (não imagino como é o maior do mundo!). Ele é composto atualmente – apenas um terço está pronto – por um “templo velho”, onde é possível ver o osso, e um por um templo monumental, em formato de duas mãos arqueadas realizando um cumprimento, saudação … impressionante. Este local foi o cenário de uma recente revolta (moderada, claro) dos monges. Incomodados pelo fato de o governo ter construído muros ao redor do templo para poder cobrar caros ingressos dos turistas, os monges passaram a derrubar os muros de tijolos com as próprias mãos … para eles, o templo deveria permanecer aberto aos interessados e curiosos. Claro que não durou muito, os muros estão lá e tudo está no seu lugar … os monges rezam, os turistas pagam e é bom que esteja todo mundo feliz assim.

Eu perguntei para a guia o que ela achava de o governo utilizar dinheiro público (a noção de público na China não tem NADA a ver com a nossa) para construir um templo religioso … imaginei o Lula construindo a maior igreja da América Latina em Santo André … e fiquei incomodado ao lembrar da cidade de Aparecida, no interior de São Paulo … sem descer do salto ela recitou um texto decorado na ponta da língua que era mais ou menos assim “a China tem quatro religiões principais: budismo, cristianismo, islamismo e o taoísmo. Todas elas são gerenciadas por um ministério preparado que visa garantir a liberdade religiosa e ao mesmo tempo equalizar o exercício destas atividades aos interesses do país.” Não colou, mas não saía muito disso … No ônibus de volta, bombardeada por perguntas a respeito do Dalai Lama, da posição do governo chinês e da “questão do Tibet” ela contou uma história que beeeeeeeeeeeeeeeeeeem resumidamente dizia:

O budismo chinês veio da Índia através de um monge e, após a sua morte, seus dois principais discípulos discordavam em alguns pontos (vegetarianismo, por exemplo) e a prática se dividiu em duas escolas, a Hanayana e Mahayana (ou algum nome parecido). Elas se espalharam por partes diferentes da China. Até que um dia, um indiano disse que teve um sonho onde Buda apareceu a ele e disse que a iluminação total (o nirvana) poderia ser atingida em apenas um dia … esse era o “secret buddhism” (ela falou desse indiano com um tom visivelmente pejorativo). Esse secret buddhism ficou conhecido como Lama Budismo e se estabeleceu na região do Tibet, que ainda tinha sua economia baseada na escravidão. O Lama Budismo acredita que o espírito do Buda reencarna sempre em alguém e que este é o Buda na terra. Com o passar dos tempos o principal monge budista do Tibet – ou melhor, o Buda tibetano – morreu e seus dois discípulos, discordando em vários pontos, criaram novas vertentes. Estes discípulos eram Dalai e Banshee (?). Banshee era querido pelos escravos e pobres, por isso nunca ouvimos falar dele, já Dalai era o living Buddha dos ricos proprietários tibetanos. Mao Tse-tung, ao “libertar” o país em 49 fez um acordo com o Dalai, ele poderia continuar sendo o líder religioso e a liderança local do Tibet desde que concordasse em acabar com a escravidão. Dalai sem alternativas concordou, para desagrado de seus seguidores. Desde então, ele tenta recuperar seu poder na região forçando uma independência ou alguma autonomia que possibilite o restabelecimento da escravidão e de seu poder regional.

 Nesta linda história o vilão é Dalai, aliado dos burgueses tibetanos, e o governo chinês é o herói, preocupado em garantir a liberdade dos pobres ex-escravos – por mais paradoxal que soe falar de liberdade e “ex-escravos” em um país sem legislação trabalhista e onde praticamente nenhuma decisão, além do consumo, é de foro individual.

 No fim da história o Mário fala pra mim “rapaz…esse país é uma caixa preta”, “com certeza, tanto pra nós como para a guia...”.

 

por Mario Monzoni

Os dias têm começado cedo para mim. Em parte, porque ainda não me acostumei com o fuso, em parte porque acho que sou meio louquinho mesmo. 3h e estou de pé. Trabalho um pouco até às 5h30 quando saio para caminhar. Andar pelo campus, observando as pessoas e escutando meu ipod: Frank Zappa na China. Muito bom! O velhinho não deu cano: tava lá pontualmente, no mesmo bat lugar, na mesma bat posição, no mesmo bat espírito. Batizei-o de mestre Yoda, o mais sábio, velho e poderoso mestre Jedi. Eles são idênticos, a não ser pelo tamanho, pois Yoda tinha 66 cm. E pelo cabelo, Yoda tinha mais cabelo. Quem sabe quando o velhinho bater os 900 anos de Yoda – e eu não duvido que chegue – ele também tenha os mesmos 66 cm. Espiritualmente, têm a mesma aura. Fico imaginando sua história de vida. Eu morro de inveja das pessoas que nasceram no começo do século XX e ainda são vivas. Essas pessoas, simplesmente, viram quase tudo. Que filme eles assistiram!
 
A chuva que caiu durante as noites não deixou que a aula de thai chi fosse realizada no gramado, ao ar livre. No lugar, fomos ao ginásio do campus, um pouco mais abafado. De fato, o ginásio estava mais para cenário de high school music do que para aula de thai chi. O quorum caiu significativamente: éramos 6 nos dois dias, a maioria professores. Depois de alguns dias de adaptação, acho que os alunos já caíram na folia até altas horas e acordar às 6h30, na chuva, para fazer thai chi exige um pouco de esforço, boa vontade, ou mesmo maturidade. Posso afirmar, no entanto, que para esse núcleo duro de brancaleones a coreografia começa a aparecer.
 
Na quinta e sexta os alunos brasileiros tiveram aula de mandarim e os alunos chineses aula de português. Uma professora brasileira, da Universidade de Beijing, veio dar aulas para eles. Os brasileiros foram divididos em duas classes e eu acabei como único professor em uma delas. A professora saiu distribuindo o livro de língua chinesa para todos, e me pulou. Incrível, já não bastava o professor de thai chi discriminar os idosos, agora a professora de chinês também me reservava tratamento desigual. Ela começou explicando que a escrita pode ser com aqueles desenhinhos e/ou com nossas letras. A maioria das pessoas só sabe a dos desenhinhos. As palavras – com nossas letras – são divididas em três: tem uma raiz, que é a primeira letra, um final e uma entonação. O chinês tem quatro acentos que determinam a entonação da palavra. O primeiro acento exige que a palavra seja pronunciada por igual, flat, assim como é a grafia do acento. O segundo acento nos avisa que a entonação da palavra deve começar baixa e subir no final, e é representado como nosso acento grave. O terceiro joga a entonação para baixo e resgata o tom alto no final da palavra, e é representando por um “check”, tipo marca de correção quando o aluno acerta a conta. E o quarto é o acento agudo, sharp, cuja palavra começa com tom lá em cima e cai violentamente para baixo.
 
Na noite da quinta, fui jantar com um amigo que é o representante regional de um grande banco de atacado, aqui em Shanghai. Ele está aqui há um ano e meio com a esposa e conhece um pouco da economia chinesa, mesmo porque seu trabalho é ajudar os clientes brasileiros com negócios na China. Foi muito bom revê-lo depois de quase 10 anos, quando o conheci no tempo em que eu trabalhava como gerente do eco-finanças no Amigos da Terra, e ele trabalhava na área de projetos do banco, envolvido na construção e implementação do Sistema de Administração Ambiental.
 
Fomos até o M on the Bund, um restaurante bem chique, na orla do rio, em frente à Pudong. Embora tenha chovido, a noite estava clara e, da varanda do restaurante, pudemos ver a imponência do centro financeiro at night, uma imagem muito parecida com aquela foto que eu mandei para vocês. O Kassab não passou por aqui e a poluição visual é absurda, tanto de dia quanto de noite. Incrível como ela ficou maior para nós depois que nos acostumamos a uma cidade sem outdoors! Não comi comida chinesa e no restaurante vi poucos chineses nas mesas. Quase todo mundo – e o restaurante estava cheio – era gringo. A conversa não poderia ser outra: economia chinesa!
 
Para ele, o foco é ordem e progresso. As palavras são minhas – e saíram agora – mas a mensagem que ele passou foi essa. Crescimento e nada de bagunça ou aglomeração. Disso sobrevive o Partido Comunista e é assim que os incentivos vão jogar. Ele disse que as províncias têm metas de crescimento e qualquer desvio para baixo de desempenho é fatal para a carreira de qualquer político na carreira do Partido. Meio ambiente? O que vocês acham? É custo, problema, obstáculo ao cumprimento de metas. Para piorar, a regulação é descentralizada, ou seja, o responsável pela área ambiental nas províncias é nomeado pelo mesmo cara que tem que cumprir metas com o poder central. Governance? You kidding! De qualquer maneira, segundo ele, se o crescimento não for o que deveria ser, ele será fabricado: a China crescerá 8% em 2009!
 
Na verdade, o problema é macroeconômico: o consumo chinês é muito baixo, cerca de 35% do PIB, ou seja, o motor da economia é a exportação. Só que exportações foram machucadas pela queda da demanda internacional, em especial dos Estados Unidos. Assim, para crescer os 8% sem torturar dados, a China vai depender de muito investimento e gasto público, os outros dois elementos da demanda agregada que compõe o PIB. E não é a toa que vimos muito investimento em construção civil e obras viárias e a discussão é de como desenvolver o setor de serviços, muito mais trabalho intensivo.
 
A previdência, segundo ele, contempla só a população urbana. Mesmo assim, precariamente. Disse que outro dia um amigo brasileiro quebrou a perna jogando futebol e foi despedido. Nas ruas, a gente vê um varejo igual a um país capitalista. O atacado está nas mãos do Estado. É como se vivêssemos em um país cheio de Petrobrases, Bancos do Brasil, Eletrobrases…. com incentivos perversos que aqui se encontram numa grande corporação chamada China. Com direito a todas as piores práticas de governança. Só que os caras estão sentados em US$ 2,3 trilhões de reservas e podem emitir moeda quando quiserem.
 
No campo da ordem, o trauma é com os 3T’s: Tibet, Taiwan, Tianamen. Para ele, o chinês odeia ser exposto, e qualquer ação gera reação de maior intensidade. Qualquer ameaça de aglomeração já é desencorajada. Não há acesso ao site do youtube e, segundo ele, é impossível ter informações sobre Taiwan. Poucos viram pela TV o que ocorreu na praça Tianamen. Vi pouco a TV, mas o que vi foi um monte de programas de auditório e filmes chineses, quase todos de kung-fu. A CNN é liberada para os estrangeiros – deve ser um serviço à parte – mas tem um delay de 7 segundos. Ele não acreditou quando a CNN “caiu” dois segundos depois que o Dalai Lama apareceu no ar.
 
Para resumir, e nas palavras dele: “A China é só hardware. Falta muito software!”. E tem tudo a ver com o que o Allan fala da arquitetura. Confesso que começo a sentir isso também: isso aqui não é sustentável e vai explodir um dia. 
 
Na sexta à tarde tivemos duas aulas com dois professores da ESALQ. O Prof. Luiz Coutinho, da Escola de Agricultura, especialista em “genomics, proteomics, and transcirptomics”, falou sobre a necessidade de se investir em ciência e tecnologia – nas tecnologias “omics” – para aumentar a produtividade agrícola, evitando pressão sobre áreas novas. O Prof. José Martines, do Departamento de Economia, da Escola de Agricultura, falou sobre agricultura sustentável no Brasil, por meio de dois estudos de caso: a soja no Mato Grosso e a cana de açúcar em São Paulo. Encerrou sua apresentação com um vídeo institucional da Cosan, convidando os chineses para, na visita ao Brasil, conhecer um modelo de usina de álcool.
 
E por quinta e sexta é só! Embora no futuro, tenho tido dificuldades de escrever todos os dias. Amanhã vou ver se mando o relato da viagem que fizemos no final de semana.

 

Em plena fase final do projeto Indicadores de Juruti, Cecília e Maria Rita tiveram a boa sorte de estarem em campo durante a realização do Festribal. É o encontro das tribos Munduruku e Muirapinima. Esse grande festival anual é um acontecimento marcante na região e demanda a dedicação das centenas de participantes o ano todo. Cecília e Maria Rita prometem um relato sobre o que viram, mas já adiantam essa imagem que dá uma idéia do porque as moças terem ficado de queixo caído. Saiba mais sobre o Festribal no Portal Juruti.

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