Está no ar a campanha de financiamento coletivo (crowdfunding) do Cursinho FGV, uma iniciativa importante dos alunos da Fundação Getulio Vargas de São Paulo que oferece um curso pré-vestibular totalmente gratuito e de qualidade a jovens de baixa renda.

Desde a sua criação, em 2013, mais de 500 alunos passaram pelo Cursinho FGV, que permitiu a eles superar dificuldades e defasagens do ensino médio público e se preparar para participar dos processos seletivos de instituições de ensino superior como a USP, UNICAMP, UNIFESP, UFSCar, além da própria FGV-SP.

Além das aulas, o Cursinho FGV também oferece aos seus alunos condições básicas para que eles possam participar das atividades – como vale-alimentação, vale-transporte e material didático. No entanto, para que esse esforço possa continuar, os alunos da FGV-SP precisam da sua ajuda.

Participe da campanha de financiamento coletivo para continuidade e expansão das atividades do Cursinho FGV! Saiba mais sobre o Cursinho e como participar dessa campanha no link http://www.kickante.com.br/campanhas/expande-cursinho-fgv

 

Promovido pelo Instituto Cidade Democrática, o Concurso de Ideias Causas Comuns é uma iniciativa para colaborar com a construção de propostas nas áreas de transparência, acesso à justiça e segurança em São Paulo. Durante quatro meses, o projeto contou com a participação de 135 pessoas que trabalharam na construção de 76 propostas.

Agora o concurso chegou à fase de Aplauso, momento de decidir as 12 propostas vencedoras, que ganharão visibilidade nas redes e serão apresentadas à Prefeitura de São Paulo e à sociedade em evento público.  O período de votação vai até 03 de fevereiro e os vencedores serão aqueles que conseguirem o maior número de apoios possível.

Faltam menos de 10 dias para o fim dessa fase e até o momento, entre as propostas mais relevantes – aquelas com mais seguidores, comentários e apoios — estão: “Estações de Apoio para Ciclovias de São Paulo: Soluções Sustentáveis para a Segurança dos Usuários”, “Grêmio na Escola e Direitos Humanos Também”, “Transparência Imobiliária”, e “Publicidade e Transparência nos Processos Municipais com Acesso e Busca Através de Portais de todos os Órgãos Municipais”, uma proposta construída colaborativamente pelo Movimento Voto Consciente.

Conheça as propostas e apoie.

 

A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu neste mês consulta pública para a escolha de temas que irão compor as oficinas do 3º Plano de Ação do Brasil na Parceria para Governo Aberto (Open Government Partnership, OGP). A iniciativa tem como objetivo identificar as principais questões que a sociedade gostaria de ver aprofundadas e discutidas. Os interessados têm até o dia 14 de fevereiro para participar.

Para contribuir, é necessário acessar o portal Participa.br e responder, de forma objetiva, a duas perguntas: qual o tema gostaria de ver discutido nas oficinas e quais órgãos do governo federal e entidades da sociedade civil poderiam discutir tais temas. As propostas deverão ter relação com ações de transparência, participação social e accountability (responsabilização e prestação de contas). As sugestões serão compiladas e seus resultados serão sistematizados, sendo posteriormente disponibilizados em votação aberta para priorização. Serão definidos cinco temas a serem discutidos em mesas de debate com especialistas que serão realizadas durante o primeiro semestre de 2016.

O Plano de Ação é uma das iniciativas realizadas pelos países integrantes da OGP. Esse documento deve conter compromissos concretos relacionados aos objetivos da Parceria, como: melhoria dos serviços públicos; aumento da integridade pública; gestão mais efetiva dos recursos públicos; criação de comunidades mais seguras e aumento da responsabilidade corporativa. No 2º Plano de Ação, o governo brasileiro assumiu 52 compromissos, que podem ser acompanhados no site da iniciativa.

Mariana Nicolletti (com informações da CGU)

 

(Foto: Bo Eide/Flickr/Creative Commons)

Em 2050, os oceanos da Terra poderão ter mais plásticos do que peixes em termos de peso. O recado é do Fórum Econômico Mundial, que acontece nesta semana em Davos, na Suíça.

O plástico se tornou um dos materiais mais populares do mundo, que combina funcionaçidade e custos baixíssimos de produção. Seu uso aumentou em praticamente 20 vezes nos últimos 50 anos, e espera-se que ele dobre novamente nas próximas duas décadas. No entanto, segundo relatório publicado pelo Fórum nesta terça (19/01), apenas 14% das embalagens de plástico do mundo é coletada para reciclagem – para efeitos de comparação, 58% do papel produzido no mundo acaba destinado para reciclagem; no caso de ferro e outros metais, esse índice chega a 90%.

Para piorar, quase 1/3 de todas as embalagens de plástico acabam inutilizadas na natureza, uma perda que gera prejuízos entre 80 a 120 bilhões de dólares anuais.

A tendência para o futuro é preocupante. Na medida em que o consumo de plástico aumentará bastante nos próximos anos, a representatividade desse material no chamado “orçamento do carbono” também crescerá. O Fórum Econômico Mundial estima que, até 2050, os plásticos poderão consumir 15% desse orçamento global, comparado ao 1% que ele consome hoje. Num mundo que se prepara para reduzir massivamente suas emissões nas próximas décadas, o plástico pode ser um vilão e tanto para essas pretensões.

De acordo com o relatório publicado pelo Fórum, a única forma de evitar um desastre é investir massivamente na economia desse material e na infraestrutura de coleta e reciclagem em todo o mundo, particularmente nos países mais pobres. Se não houver avanços nessas frentes, os oceanos do planeta servirão como verdadeiros lixões flutuantes, nos quais existirão mais plásticos do que peixes.

Bruno Toledo

 

Em comunidades espalhadas pelo interior do Brasil, desde os rincões da Amazônia até o sul do país, a energia solar está chegando e transformando as vidas de milhares de pessoas, com mais energia e qualidade de vida e menos poluição e custos na conta elétrica.

O Greenpeace Brasil lançou no último dia 12 o webdocumentário “Sol de Norte a Sul”, que registra e conta as histórias e as pessoas que estão vivendo a transformação causada pela chegada dos painéis fotovoltaicos e pela produção de energia limpa e mais barata.

O webdocumentário está dividido em quatro seções. Uma mostra quais são benefícios sociais que a energia solar traz ao País. Além de gerar empregos, as histórias mostradas ali contam como brasileiros passaram a ter água limpa, salas de aula mais adequadas e contas de luz mais baixas. A segunda parte é dedicada aos entraves que não permitem a ampla disseminação dessa fonte limpa de energia, como o excesso de tributos que encarecem os sistemas. Hoje, apenas 0,02% da eletricidade do Brasil vem de placas fotovoltaicas. Em seguida, conhecemos quatro histórias de brasileiros que, mesmo com todos os empecilhos, apostam na energia do sol.

A quarta e última seção da plataforma traz um mapa do mundo para que os internautas insiram iniciativas ligadas à energia solar que conhecem. Esse mapa será, em breve, um amplo panorama de como a energia solar está ganhando espaço no Brasil e no mundo.

“As histórias contadas aqui são só alguns exemplos dos muitos benefícios da energia solar. Mas apenas três em cada dez brasileiros sabem que podem gerar sua própria energia. Com esse webdoc, esperamos contribuir para que esse número cresça. E queremos chegar a 1 milhão de casas com telhados solares num futuro próximo no Brasil”, diz Bárbara Rubim, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

O webdocumentário está disponível gratuitamente no site http://soldenorteasul.org.br/

Bruno Toledo

 

Até 17 de janeiro, a Rede de Ação Política pela Sustentabilidade – RAPS – estará com inscrições abertas para o processo seletivo. Os interessados podem se inscrever para participar dos projetos Líderes RAPS, Empreendedores Cívicos ou Jovens RAPS.

O projeto Líderes RAPS é direcionado a pessoas vocacionadas a atuar diretamente na política institucional, com potencial para participarem ativamente de processos eleitorais, comprometidas com a ética, a transparência, e os valores e princípios da sustentabilidade.

O Empreendedores Cívicos visa a potencializar a participação da sociedade na vida política do Brasil com o objetivo de fortalecê-la e aprimorá-la, colaborando, por exemplo, em campanhas eleitorais e em mandatos eletivos.

Por último, o projeto Jovens RAPS tem foco em pessoas de 18 a 30 anos de idade, que possuem uma ação política já constituída. Independentemente desta trajetória política estar ligada ou não à política institucional, os jovens têm clara intenção em se candidatar a cargos eletivos ou participar do processo de fortalecimento da política institucional. Além disso, os participantes deste projeto estão ligados no desenvolvimento de suas compreensões sobre política de forma prática como, por exemplo, envolvendo-se em campanhas eleitorais e em mandatos eletivos.

A RAPS é uma entidade civil, sem fins lucrativos, de natureza apartidária e com pluralidade ideológica, cuja missão é contribuir para o aperfeiçoamento da democracia e do processo político brasileiro por meio, principalmente, da identificação e apoio a atuais e novas lideranças políticas. A RAPS se propõe a ser uma resposta de como é possível empreender na política de forma inovadora por um Brasil ético e sustentável. Saiba mais em http://www.raps.org.br/

 

Nos últimos anos, o mundo se acostumou a receber uma notícia que vem se tornando cada vez mais frequente: vivemos o ano mais quente registrado até o momento. Foi assim em 2013, em 2014, em 2015, e tudo indica que será assim também em 2016. No mês passado, pouco depois da conclusão das negociações do Acordo de Paris na COP 21, o Met Office (escritório meteorológico do governo britânico) anunciou que o ano que começa promete superar 2015 como o mais quente desde 1880, quando iniciou os registros de temperatura. De acordo com o Met Office, a temperatura média global deve ser 1,14 grau Celsius acima dos níveis pré-Revolução Industrial, aproximando o aquecimento global dos índices observados pela ciência e pelo novo Acordo de Paris como limites para evitar efeitos mais profundos e negativos das mudanças do clima – entre 1,5 e 2 graus Celsius de aquecimento.

Efeitos desse planeta mais quente já podem ser sentidos desde o mês passado, quando começaram o inverno no Hemisfério Norte e o verão no Hemisfério Sul. Nos Estados Unidos, que vivenciaram períodos prolongados de frio intenso nos invernos de 2013-2014 e 2014-2015 devido ao vórtice polar, este começo de inverno tem sido um dos mais quentes registrados até hoje, com temperaturas bastante acima das atingidas nos anos anteriores. Na Escandinávia e nos Alpes, o inverno de 2015-2016 vem repetindo as altas temperaturas registradas nos últimos invernos, o que resulta numa cobertura de neve cada vez menor – impactando diretamente o turismo nesses países europeus, tradicionais pontos de prática de esqui e esportes na neve.

E a expectativa é de que 2016 não fique na posição recordista por muito tempo. Com a concentração de gases de efeito estufa (GEE) aumentando na atmosfera terrestre e a dificuldade de os países atingirem um ponto máximo para suas emissões num futuro mais próximo, a tendência é que esses índices continuem crescendo na próxima década. Ou seja, provavelmente continuaremos ouvindo essa notícia nos próximos anos.

Para piorar, além do aquecimento global em si (resultado da concentração crescente de GEE na atmosfera terrestre), 2016 também enfrentará os efeitos do fenômeno meteorológico El Niño, que promete ser o mais forte desde 1998 e afetar o clima em todo o planeta. No último post de 2015, falamos um pouco sobre os impactos do El Niño no clima e a necessidade do mundo reagir na contenção de seus efeitos negativos, principalmente no que diz respeito à segurança alimentar humana.

Tudo isso coloca os governos e as sociedades em uma situação crítica em um momento crucial: nos próximos anos, o mundo precisará avançar nas bases para a implementação do Acordo de Paris – que, por ora, traz mais boas intenções do que ações concretas. Espera-se que essa “notícia repetida” nos próximos anos mobilize os países em torno de mais ambição e mais ação para conter as emissões globais de GEE e preparar o mundo para suportar o impacto das mudanças climáticas já irreversíveis.

Bruno Toledo

 

Da Etiópia a Papua Nova Guiné. Do Malawi a Honduras. Do Haiti ao Sudeste Asiático. Lugares tão distantes entre si no mapa-mundi, mas que sofrerão intensamente com os efeitos do El Niño na temporada 2015-2016, que promete ser a mais impactante neste século. Mais de 50 milhões de pessoas em todo o planeta poderão ser afetadas com desabastecimento de água e de comida nos próximos meses, causando um verdadeiro desastre humanitário em regiões já bastante debilitadas, como é o caso do chamado “Chifre da África”, entre o Oceano Índico e o Mar Vermelho.

Segundo a agência humanitária Oxfam, os impactos do El Niño – fenômeno decorrente do aquecimento da superfície do Oceano Pacífico, que altera padrões climáticos em todo o planeta – devem ser potencializados com o aumento persistente da temperatura média do planeta nos últimos anos. Um dos temores da organização é que a falta de coordenação internacional para ajuda humanitária possa repetir o cenário desastroso visto na Somália entre 2011 e 2012, quando uma grande seca causou a morte de mais de 250 mil pessoas.

“Ainda temos a oportunidade para mitigar os piores efeitos do El Niño, se formos capazes de responder rapidamente”, reforça a Oxfam em  briefing paper lançado nesta semana. “Os custos humanos de uma resposta tardia à insegurança alimentar são inaceitáveis. Da mesma forma que temos sofrimento, perdas e dificuldades de curto prazo, existem também consequências de longo prazo, que afetam o crescimento de crianças, com impactos particularmente negativos para meninas e mulheres”.

Cerca de 2,3 milhões de pessoas na América Central, especialmente agricultores de subsistência e suas famílias, precisarão de ajuda alimentar por causa das perdas persistentes na lavoura causadas pela seca. Na Etiópia, mais de 10 milhões de pessoas poderão ser afetadas com a seca, repetindo o trauma vivido pelo país nos anos 1980, quando a fome matou milhões de pessoas. E no Sudeste Asiático, secas e incêndios florestais deverão se intensificar nos próximos meses.

No Brasil, a intensidade do El Niño sobre o regime de chuvas foi forte já em 2015. Por exemplo, o excesso de chuvas no Sul do país resultou em prejuízos de 10% na produção de arroz na região. No Norte e Centro-Oeste, o nível de precipitação já caiu, afetando a produção de grãos em Estados como Mato Grosso e Goiás, além de intensificar a seca no Nordeste.

Bruno Toledo

 

Nos dias 23 e 24 de novembro aconteceu o 2º World Forum on Natural Capital em Edimburgo (Escócia) que se propunha a reunir líderes e compartilhar os últimos desenvolvimentos, aprendizados e casos reais para contribuir para o diálogo consistente sobre capital natural.

As sessões paralelas e conversas de corredor durante o Fórum deixaram evidente que a discussão no âmbito internacional sobre capital natural moveu do “se devemos medir e valorar o capital natural” para “quais os meios de gerenciá-lo de forma inteligente e qual o papel dos diversos atores”. Philipe Joubert (CEO da Green Option) conclui que não precisamos ter receio de valorar monetariamente pois os recursos naturais hoje já tem um preço, e esse preço é zero – o que significa que estamos mandando a conta para as próximas gerações.

Assim, o evento jogou luz às diversas iniciativas, programas, relatórios, casos, guias, ferramentas que buscam compreender e gerenciar o uso do capital natural pela sociedade de uma melhor forma.

Iniciativas pelo mundo

World Forum on Natural Capital

Os Objetivos Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram claramente pano de fundo para diversas conversas já que muitos deles são relacionados diretamente com o capital natural.

Pavan Sukhder, Líder do estudo do TEEB (The Economics of Ecossystems and Biodiversity), falou sobre um novo estudo em desenvolvimento - TEEB for Agriculture & FOOD - que reunirá diversos atores para fazer uma avaliação econômica global da complexa tríade ecossistema-agricultura-alimentos. O objetivo é demonstrar que o ambiente econômico em que os agricultores operam é distorcido por externalidades significativas, tanto negativas como positivas, além da falta de consciência da dependência do capital natural.

Pushpam Kemar, Coordenador do Ecosystem Services Economics Unit da UNEPfalou sobre a necessidade de descolar o crescimento do consumo de capital natural e o projeto VANTAGE (Valuation & Accounting of Natural Capital for Green Economy).

No hall de índices que buscam ir além das métricas financeiras, foram citados: i) Índice do Capital Natural contido na Estratégia Nacional para o Capital Natural da Escócia que visa monitorar as mudanças anuais no capital natural baseado na avaliação do potencial de serviços ecossistêmicos; e ii) o Inclusive Wealth Index, que  mede a riqueza de um país em termos de progresso, bem-estar e sustentabilidade no longo prazo, a partir da medida do estoque de condições indutoras de riqueza.

A discussão chegou também âmbito da International Organization for Standardization (ISO) que começa agora a discutir a ISO 14008 sobre Valoração monetária de impactos ambientais de emissões específicas e recursos naturais.

Movimento empresarial

O discurso neste âmbito foi marcado pela inovação para uma economia verde como meio de garantir competividade e boa reputação. Philipe Joubert (CEO da Green Option) acredita que “nós mudamos o mundo se mudarmos os negócios”. Ele afirma que o setor privado é parte da solução e enfatizou que em um ambiente extremamente competitivo, devemos mudar a maneira que se mede sucesso dentro das empresas para mudar o comportamento delas.

Phillipe entende que as empresas não estão esperando pela regulação e que parte delas já estão se preparando para pagar um premium por capital natural. Para ele, o dinheiro existe e é uma questão de alocá-lo nos caminhos certos. Ainda, comentou que as grandes empresas já estão gerenciando o capital natural nas suas cadeias de valor.

World Forum on Natural Capital

Um exemplo é a Desso, uma empresa líder no mercado de carpetes que optou por uma estratégia diferenciada de valorar o capital natural do cradle to cradle” (berço ao berço), e então focando esforços nos elos mais relevantes em termos de impactos para o capital natural – que não são os mais evidentes à primeira vista. A madeira, por exemplo, representa 2% da sua matéria prima e 50% do seu impacto sobre o capital natural!

Outros mostraram como a parceria com outros setores pode ser muito produtiva. É o caso da Dow Chemical que em conjunto com a TNC desenvolveu a ferramenta ESII (Ecosystem Service Identification and inventory tool) para auxiliar na mensuração e valoração dos SEs como inputs para a estratégia de conservação da empresa. Uma das soluções foi incluir um “filtro” na análise dos projetos para checar como este influencia nos SEs (Nature´s Future Value – NFV).

No setor de seguros, Jayne Plunkett da Swiss Re falou sobre o desafio da precificação dos riscos futuros – uma vez que o mundo está mudando e os riscos são complexos e interconectados. Ela falou sobre o estudo “Shaping climate-resilient development: a framework for decision-making” que auxilia na mensuração dos riscos climáticos.

Ferramentas

Infográfico TeSE

Clique na imagem para vizualizar o infográfico da TeSE

Uma das sessões de discussão tratou de Inovação & Ferramentas – onde a TeSE (Tendências em Serviços Ecossistêmicos, projeto do GVces) foi apresentada como uma das iniciativas para as empresas compreenderem sua relação com os SE.

Katherine Garrett da Alliance Trust, falou da grande diversidade de ferramentas existentes para empresas medirem seu capital natural como um movimento normal em um momento de inovação. No entanto, entende que existe a necessidade de padronizar a forma como capital natural é medido.

Neste contexto, a provocação sobre se a existência de tantas ferramentas contribui ou atrapalha dividiu a plateia igualmente entre aqueles que acreditam que é bom, tendo em vista a diversidade de necessidades das empresas; e aqueles que acham ruim, dada a dificuldade de comparar e entender qual a melhor abordagem.

Em meio a tantas ferramentas, foram apresentados “guias para os guias”, isto é, guias sobre como escolher a melhor abordagem para medir o capital natural, por exemplo o Eco – 4Biz (WBCSD) e Natural Capital Accounting for Business: Guide to selecting an approach (Programa de Business and Biodiversity da UE).

O evento também foi palco para o lançamento da consulta pública do The Natural Capital Protocol, que visa contribuir para a padronização em nível global da abordagem para valoração qualitativa, quantitativa e monetária das dependências e impactos das empresas no capital natural a partir da sistematização das fermentas existentes e preenchimento dos gaps encontrados no processo.

Disclosure – o que e para quem

Concordado em medir e valorar, falou-se na necessidade de reportar informações sobre o capital natural. Os acionistas estão esperando estas informações? O que os financiadores e acionistas querem saber? Jane Stevensen, Diretora da Climate Disclosure Standards Board (CDSB), ressalta o desafio de que a informação disponibilizada seja usada e que é difícil comparar empresas. Comentou que neste momento é importante a possibilidade de comparar as empresas com elas mesmas (no tempo e em relação a metas) e não necessariamente com outras. Ainda trouxe que os fundos de investimento começaram a entrar na discussão.

Do discurso inspirador da primeira ministra da Escócia Nicola Sturgeon sobre a relevância da união dos conhecimentos de dois pensadores escoceses John Muir e Adam Smith ao panorama trazido pelo Fórum, ficou evidente que a discussão sobre capital natural se tornou uma tendência mundial. Mais do que isso, há um desejo claro de que a gestão inteligente do capital natural pela sociedade seja o “novo normal”.

Natalia Lutti

 

Foto: Fabiane Secomandi (Flickr/Creative Commons)

A linha de frente de combate ao desmatamento ilegal ganhou uma nova ferramenta. O Instituto BVRio lançou um aplicativo para que compradores de madeira possam verificar se estão comprando madeira legal ao passar o telefone celular sobre o código de barras da Guia Florestal apresentada.

O Sistema de Verificação da Legalidade da Madeira, disponível para celulares Apple e Google Android, permite que construtoras, serrarias, fabricantes de móveis e atacadistas que compram madeira brasileira verifiquem com rapidez e segurança se seus fornecedores estão vendendo madeira de origem legal. O novo sistema será particularmente útil para exportadores, que precisam se adequar às normas dos mercados norte-americano (US Lacey Act) e europeu (EU Timber Regulation).

Baseado em análise de big data de um vasto banco de dados atualizado diariamente e de imagens de satélite de instituições como a Global Forest Watch, o Sistema de Verificação faz bilhões de cruzamentos de dados para detectar irregularidades e até a probabilidade de eventuais irregularidades ainda não descobertas por agências governamentais.

Em instantes, o Sistema permite analisar e cruzar dados como autorizações de exploração florestal, licenças ambientais, guias de transporte, além da existência de embargos ou infrações ambientais no âmbito federal e dos estados. O módulo base do Sistema de Verificação coleta, compila, e analisa tais informações, facilitando o acesso e compreensão. Ao consultar o número de uma guia de transporte florestal, o interessado recebe a informação completa sobre aquele lote de madeira.

Com apoio de um conselho consultivo formado por entidades como a certificadora Imaflora, a ONG Imazon, o Instituto Centro de Vida (ICV), a WWF Brasil, o World Resources Institute (WRI) e a madeireira certificada Amata, este Sistema de Verificação surge como um componente importante no processo de promoção da exploração responsável e sustentável da madeira tropical brasileira, hoje ameaçada pela exploração ilegal. Saiba mais aqui.

Paulo Branco

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